O 99º Aniversário da Batalha de La Lys, decorreu no domingo, 9 de Abril, pelas 11h30, no Jardim das Portas do Sol, junto ao Monumento do Soldado Desconhecido, na cidade de Santarém.

A iniciativa, na qual participaram cerca de meia centena de pessoas, decorreu no âmbito do plano de actividades do Núcleo de Santarém da Liga dos Combatentes, inserido “nos valores da conservação das memórias da nossa História”, explicou ao Correio do Ribatejo o presidente do Núcleo de Santarém da Liga dos Combatentes, Carlos Pombo, que, na sua intervenção, destacou a importância do momento: “Encontramo-nos hoje aqui reunidos, em sinal de respeito, saudade, gratidão e evocação a esta tão sentida, justa e nobre Homenagem aos Militares que serviram a nossa Pátria. Onde muitos, colocaram ao seu serviço, o bem mais precioso e sagrado que possuíam: A Própria Vida”.

O presidente do Núcleo historiou os acontecimentos que se verificaram a 9 de Abril de 1918, na Batalha de La Lys, a sul da Flandres, em plena 1ª Guerra Mundial, onde as forças portuguesas comandadas pelo general Gomes da Costa e constituídas por duas divisões pertencentes ao Corpo Expedicionário Português, com um efetivo de 20 mil homens, apoiados por 88 peças de artilharia, encontravam-se instaladas no terreno pertencente ao Campo de Batalha, ocupando uma frente com 11 quilómetros.

Os combatentes portugueses foram “esmagados” por uma força alemã, muito superior e número, constituída por oito divisões pertencentes ao 6º Exército alemão, com cerca de 100.000 homens e apoiados por 1.700 peças de artilharia.

Apesar disso, recordou Carlos Pombo, a “tropa portuguesa conseguiu bater-se com imensa determinação, garra e coragem, resistindo até ao limite das suas forças, no cabal cumprimento do seu dever e missão”.

A Batalha de La Lys foi considerada, lembrou, “o maior desastre militar português, depois de Alcácer-Quibir, verificada em 1578”.

O presidente do Núcleo, na sua intervenção, destacou ainda a “bravura do nosso herói português, soldado Aníbal Augusto Milhais, acabando por ficar conhecido na nossa História pelo ‘Soldado Milhões’”.

As forças portuguesas foram “trucidadas e reduzidas a pouco mais de uma divisão, sofrendo milhares de baixas: cerca de 1.300 mortos, 4.600 feridos, 2.000 desaparecidos e mais de 7.000 prisioneiros.

“O Soldado Desconhecido é o nome que recebem os monumentos erguidos, à semelhança deste que se encontra à vossa frente localizado neste LOCAL, CONSIDERADO, UM ex-libris da Cidade de Santarém, para honrar os seus soldados que morreram em tempo de guerra sem identidade conhecida. O Reino Unido foi pioneiro nesta prática cerimonial de homenagem, quando na Primeira Guerra Mundial, o país sepultou um combatente desconhecido, em nome de todos os Exércitos do Império britânico. Acto este simbólico, tendo levado outras nações a seguirem este nobre exemplo, a fim de honrar os mortos por identificar da Primeira Guerra Mundial, que lutaram heroicamente pela Pátria e se tornaram credores do nosso maior respeito e admiração”, sublinhou Carlos Pombo.

O presidente do Núcleo de Santarém da Liga dos Combatentes evocou ainda a importância das mulheres, na “fatídica data”, realçando a criação do movimento “Cruzada das Mulheres Portuguesas” que terá mobilizado “um número de notáveis mulheres, constituído essencialmente, pelas mães, esposas e irmãs, centrando-se estas em inúmeras iniciativas beneficentes e assistenciais no apoio, às famílias dos soldados mobilizados para integrar o corpo expedicionário português na Flandres, e no auxílio aos combatentes, gaseados, mutilados e prisioneiros de guerra portugueses.

“Estas mulheres faziam chegar, diariamente, cerca de 150 jornais à frente de combate, locais onde os nossos legionários portugueses se encontravam entrincheirados, por forma a ajudá-los a elevar o moral e equilibrar o emocional”, concluiu.

Após a intervenção do presidente do Núcleo de Santarém a cerimónia contou com o ‘Toque de silêncio’, seguido da deposição de um ramos de  ores, junto ao Monumento do Soldado Desconhecido. Foi ainda ouvido o ‘Toque de Homenagem aos Mortos’, seguido de um momento de silêncio e re exão, concluindo-se com o ‘Toque de Alvorada’.

Seguiu-se um almoço convívio.