Muito se tem falado de caça nas últimas semanas. E muito se vai falar ainda nas próximas.

Nos passados dias 5 a 7 de maior decorreu mais uma Expocaça em Santarém, mesmo em vésperas do agendamento por parte do PAN de um conjunto de iniciativas legislativas, uma delas em conjunto com o Bloco de Esquerda, que constituíam mais um enorme ataque à caça, aos caçadores, e em geral, à economia do mundo rural, como actividade de desenvolvimento das regiões mais despovoadas e de interior. Foi notório o dinamismo que o sector apresenta, pelo conjunto de expositores representados na feira e pelo conjunto de iniciativas que foram desenvolvidas na feira.

Mas é notório também o ataque reiterado e insistente, com base em conceitos errados, afirmados como verdades únicas, mostrando um total desconhecimento da realidade do campo, de ecologia e de dinâmica entre as espécies e, em boa verdade, de uma enorme desonestidade política e intelectual porque condicionam a opinião de quem lê, deturpando deliberadamente a realidade!

Vinham então o PAN e o BE propor acabar com as matilhas de caça, afirmando que os cães de caça lutam entre si e com as raposas, veados e outras espécies, comparando com as ilegais lutas de cães! Só por desonestidade ou total ignorância pode ser afirmado que os cães de matilhas são mantidos em condições precárias, em locais confinados e presos por trelas, quando são criados em espaços abertos e muito mais área do que qualquer cão de cidade fechado num apartamento ou numa varanda!

Vem ainda o PAN assustar os menos informados dizendo que é necessário, por uma questão de saúde pública, garantir um inspector sanitário em cada acto venatório, omitindo deliberadamente que toda a carne de caça que entra no circuito comercial já está sujeita a essa regra! Imagine agora que alguém vinha impor que quem tem animais para detenção caseira e mata uma galinha, um borrego ou um porco para comer com os amigos ou em família, teria de chamar um veterinário para o fazer!! Era acabar com essa possibilidade, por um lado, porque não há veterinários/inspectores suficientes para chegar a todo o lado em tempo útil e por outro porque tornaria a operação de tal forma cara que ninguém o faria e deixariam de abater os animais para consumo doméstico!

Pretende também o PAN equiparar o tempo de caça do regime ordenado ao do não ordenado, mas omite deliberadamente que apenas 5% do território nacional está não ordenado.

Quer também proibir o que já é proibido – a ‘utilização de venenos’ na caça, afirmando desonestamente que são os caçadores que utilizam veneno para caçar as suas presas! Como se alguém no seu perfeito juízo fosse envenenar o animal que depois vai comer!!!

E, num acto de cobardia política (diga- se, em abono da verdade, não acompanhado pelo BE, que obrigou à votação do projecto de lei conjunto) fez baixar todos os projectos sem votação. Só para não passar pela vergonha de todos serem chumbados no Parlamento e ficar a nú a incoerência de um partido que se diz dos animais e da natureza mas que não percebe nada de natureza e até contribui para a estragar! Pergunto-me se o PAN, que não vai certamente ao campo ver os animais em liberdade, não passou ainda também pelas ruas de algumas aldeias e cidades infestadas de javalis ou raposas que, esses sim, constituem um perigo para a saúde pública!

Esta semana entra mais uma petição, desta feita para acabar com a caça à raposa. Lá estarei, quando for agendada, mais uma vez a defender os interesses de todos quantos, mais rurais ou mais urbanos, caçam e percebem a importância destas dinâmicas, as preservam e cultivam.

Patrícia Fonseca

Deputada do CDS-PP eleita por Santarém