A Caixa Geral de Depósitos (CGD) decidiu encerrar 3 agências no distrito de Santarém: uma das 3 existentes na própria capital do distrito; outra em Santa Margarida, a segunda existente no concelho de Constância; e, finalmente, a única agência no concelho da Golegã.

Em qualquer caso, é lamentável o encerramento de agências da Caixa ou a redução do horário de atendimento, como já ocorreu na Barquinha. O caso do encerramento da agência da Golegã, marcado para o dia 1 de março, afigura-se-me ainda mais grave.

O concelho da Golegã tem uma população de quase 6 mil habitantes, repartida por 3 freguesias. A sua economia assenta num moderno setor agrícola e agroindustrial.

Ora, a Caixa Geral de Depósitos é um banco público essencial ao desenvolvimento do país. É-o ainda mais em concelhos com menos população, como a Golegã, onde, inclusivamente, já se verifica alguma retração na oferta de serviços
bancários privados.

Os propósitos governamentais de apostar no desenvolvimento de concelhos menos populosos, em que, como neste caso, até existe um elevado potencial agrícola, precisam do suporte de um banco público. Um banco próximo e disponível para as pessoas que aí vivem e para as empresas que aí desenvolvem a sua atividade.

Pelo contrário, a redução da oferta de serviços da CGD, a par da fuga de outros serviços públicos, só poderá vir dificultar a atividade económica e, por consequência, agravar desigualdades territoriais, nos mais diversos domínios.

É exatamente isto que digo ao governo, na interpelação escrita que, ainda esta semana lhe vou fazer chegar, através da Assembleia da República

A retração significativa da oferta de serviços por parte da CGD e, em particular, o encerramento da agência da Golegã, não é compaginável com as necessidades do desenvolvimento e do equilíbrio territorial do país. E, já agora, vem na linha de um sistemático desrespeito pelas populações de concelhos menos populosos e que, por isso mesmo, deveriam ser especialmente apoiadas.

Carlos Matias

Deputado do BE eleito por Santarém