No início do século XX, o professor e político republicano António Ginestal Machado (1874-1940) casou com Maria da Piedade d’ Almeida Topinho (1884- 1963), filha de Manuel Bernardes d’Almeida Topinho e de Casimira da Piedade d’Almeida Topinho. Deste enlace nasceram oito filhos: Manuel, António, Fernanda, Mariana, Casimira, Armando, Maria Antónia e Maria Augusta.

O flagelo da tuberculose assombrou muitas famílias durante este período não sendo a Ginestal Machado excepção. A 1 de Abril de 1927, o académico António d’Almeida Ginestal Machado faleceu vitimado pela “peste branca” com a idade de 19 anos. A morte espreitava o jovem há algum tempo “porque todos os recursos da ciência e todos os desvelos foram emprestados para o salvar” (CE, 2/4/1927, p. 3), acabando por o encontrar na residência de família, situada na travessa da Misericórdia, 12. O funeral decorreu no dia seguinte e

contou com a presença de representantes de todos os estratos sociais da cidade. Para além dos docentes do Liceu e do Seminário, também acompanharam o corpo os dirigentes políticos escalabitanos do Centro Nacionalista e do Centro Democrático. De Lisboa vieram os membros do directório do Partido Republicano Nacionalista, fundado pelo pai enlutado, o médico e escritor Júlio Dantas (1876-1962), Pedro Pita, João Ferreira de Mesquita (1861-1935), Daniel de Barros Queirós e um representante do general Tamagnini Barbosa (1883-1948). As últimas palavras no cemitério ficaram a cargo do académico Eurico Peste, sendo o funeral dirigido pelo professor e pintor António Saúde (1875-1958), capitão Joaquim Barros e Matos (1883-1954), Soares Parente e Joaquim da Cunha e Matta.

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Os irmãos Ginestal Machado no quintal da casa de família em Santarém junto à fotografia de António, fi nal da década de 20. Fotografi a cedida por Maria Antónia Ginestal Machado

A 13 de Abril do mesmo ano faleceu Maria do Céu Marques Arruda, de 23 anos, casada com o industrial escalabitano João Eduardo Arruda. A tuberculose não poupava outra jovem “precisamente na quadra florida cheia de esperanças, que ora se iniciou, e que, por um triste paradoxo, é a época traiçoeira para os que, em plena Primavera da vida, parece zombarem da morte!” (Idem). Maria Susana Ruivo, noiva de Virgílio Arruda (1905-1989) e colaboradora do Correio da Extremadura, padecia de tuberculose desde 1926, o que a levou a percorrer os sanatórios do Caramulo e da Serra da Estrela. Esta faleceu a 31 de Março 1934, com apenas 28 anos. Também Virgílio Arruda passou pelo sanatório do Seixoso, entre Janeiro e Julho de 1929.

Num período em que se recomendava “a todos os chefes de família que vacinem os seus filhos porque grassa com intensidade a epidemia da varíola” (CE, 14/5/1927, p. 3), a tuberculose continuava a ceifar vidas na flor da idade.

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