Em 2003 e neste jornal, em Junho de 2004, apresentei algumas preocupações sobre a forma como vinha ainda a ser encarado o território Ribatejo e a identidade regional, por parte de quase todas as opiniões que vieram a público.

Agora (re)volto ao assunto. Parece ser oportuno devido ao começo das actividades públicas de uma iniciativa chamada Fórum Ribatejo, que foi criado há cerca de um ano: http://forumribatejo.wordpress.com

Este espaço alargado de reflexão vai ser constituído por vários debates em diversos concelhos do Distrito / Província (?) e começa pelo que se realiza em Santarém, amanhã, em colaboração com este jornal.

Esta será mais uma oportunidade para que todos os cidadãos mais comprometidos possam colocar em cima da mesa um conjunto de novos conhecimentos que foram entretanto produzidos e que, forçosamente, darão outra luz ao conhecimento do Ribatejo e das suas identidades. O discurso tem de incorporar renovação em todas as opiniões.

Depois de tanto tempo, temos de falar hoje incorporando as novas ideias e conceitos relativos àquilo que se diz ser uma região e as suas identidades; quem tem possibilidades de fazer ouvir a sua voz até agora tem continuado os argumentos enviesados e alimentado as ideias passadistas e gastas, sem consequências práticas sobre a sua região.

E existem algumas ideias que já sabemos que não são correctas e em que não vale a pena insistir:

– não manter as ideias do “senso comum” – exige-se um esforço de todos para romper com elas;

– não há só uma identidade regional, como sempre se fez crer – sabemos que existem diversas Identidades, que obrigam a outra visão e entendimento duma região;

– a Identidade não é um processo puro nem é genuíno, como se tem continuado a acreditar – é um processo contaminado;

– Identidade não é homogeneidade nem é imobilismo social, não é estática e fixa, imutável, como ainda se diz, porque desse modo estaríamos a pensar apenas com os conhecimentos dos anos 40 e 60 p. p..

Ao contrário, temos de entender a nossa região como um complexo de Identidades constituído por um processo dinâmico, que se constrói e (re)constrói a cada dia que passa, facto que altera os dados desta problemática e das opiniões que se produzem. E isso faz toda a diferença para entender a situação em que nós estamos e a região também…

A confirmar isto constata-se que já não há campinos como se dizia haver há 60 anos, comprovado hoje nas suas tarefas diárias e nas Feiras institucionais – eles deslocam-se agora mais em “cavalos vapor”; e também já não se usam os bois a puxar a charrua…

Entendido assim, isto até pode ser considerado incorrecto politicamente, mas sabemos que esta nova perspectiva nos dá novas janelas que ajudam a perceber a realidade e o nosso território. Também já houve várias opiniões: ser o resto das outras regiões ou ser zona de transição a meio do país ou deverá ser uma região poli-nucleada, conforme as diferentes escalas – sociológica, económica, religiosa, política, administrativa, antropológica…

Pois é, ainda continuamos às voltas com este legado do Ribatejo ou o que resta dele. Ribatejo e Oeste? Ribatejo e Alentejo? Ou Ribatejo como Vale do Tejo, como defendiam as posições mais estudiosas da Província, em 1936? Mas se for o caso, o que fazer a Sardoal, Ponte do Sôr, Tomar, F. Zêzere, Rio Maior…e os outros concelhos mais periféricos?

Ora, ao aparecer este Fórum Ribatejo, como espaço de reflexão, em mais uma oportunidade, fica-se na expectativa dele trazer ideias renovadas e que incorporem os conhecimentos anteriores, capazes de dinamizar novos conceitos que ajudem os problemas do nosso território.

No fundo, encontrar respostas para “o que faremos com este território à escala regional?”