Diogo Peseiro - Cp PeqA Sociedade do Campo Pequeno, dirigida tecnicamente pelo antigo matador de toiros Rui Bento Vasques, tem vindo a desenvolver um notável labor na promoção, dignificação e divulgação do espectáculo tauromáquico no nosso país. Como lhe compete! – dirão muitos aficionados sempre lestos a responsabilizar terceiros, mas nem sempre cumprindo o seu papel basilar, que é o de encostar a barriga ao balcão, adquirir o respectivo bilhete e assistir aos espectáculos. Especialmente os de promoção, que são os que têm sempre menor presença de público, do simples espectador, aquele que se deixa seduzir pela força mediática do cartel e não sente obrigação especial em “semear o futuro”. Vai quando vai, ponto! E é, naturalmente, muito bem-vindo porque ajuda a viabilizar a festa brava enquanto actividade empresarial. Mas, entre nós todos sabemos como é bem mais fácil, cómodo e, sobretudo, menos arriscado atirar a pedra aos outros.

Neste aspecto particular, a Sociedade do Campo Pequeno tem-se preocupado em promover espectáculos para incluir novos valores do toureio e até foi mais longe criando a Academia, onde investe a sua quota-parte na formação de jovens toureiros, a qual, assinale-se, já começa a dar frutos.

A generalidade dos aficionados reserva- se para uma função crítica, primando pela ausência nas novilhadas e nos espectáculos com cartéis de juventude, mas tem sempre a língua afiada para à menor oportunidade desancar na Empresa. Note-se que não tenho procuração de ninguém para defender a Sociedade do Campo Pequeno, apesar da consideração pessoal que nutro pelos seus responsáveis, nem estou a pagar qualquer favor, pois quando vou aos toiros ao Campo Pequeno pago o meu bilhete, mas aprecio sobremaneira a correcção de procedimentos e, por isso mesmo, tento ser justo. Reitero, na qualidade de aficionado, o meu apreço pela acção empresarial da Sociedade do Campo Pequeno e lamento a habitual ausência de público nos espectáculos “ditos” de promoção. Na passada quinta-feira a praça apresentava apenas 1/3 da sua lotação preenchida. É muito pouco para tanto investimento!

Com a ordem de actuação alterada, tendo em conta o que é uso em todo o universo taurino, os três primeiros novilhos foram lidados a pé, os quarto e quinto novilhos foram lidados a cavalo, e o último da noite saiu também para a lide a pé. Por alma de quem? Não percebemos a intenção da Sociedade do Campo Pequeno. Ou talvez percebamos, mas não podemos é concordar, até porque, assim, os responsáveis da Empresa estão assumir a menor força do toureio a pé, receando que após a consumação da última pega da noite o público começasse a abandonar a praça… É certo que o Regulamento do Espetáculo Tauromáquico não define em nenhum dos seus artigos que as lides a cavalo têm de ser realizadas antes das lides a pé, mas é aconselhado que se sigam alguns princípios, pois se cada um optar por produzir as alterações que bem lhe apeteça qualquer dia reina a anarquia total. O que, convenhamos, não é bom para ninguém. Há um fundamento histórico na base da tradição tauromáquica e este deve ser respeitado. Há ligeiras alterações que não trazem mal nenhum ao mundo, e que até poderão trazer alguns benefícios – pois os tempos evoluem e as tradições também – porém, há outras que, com o devido respeito, não têm lógica nenhuma. Nesta noite em que “Juanito” foi colhido na lide do seu primeiro novilho, Diogo Peseiro (na foto) andou em bom plano lidando três novilhos, tendo evidenciado muito boas condições para prosseguir na linha do seu sonho de ser matador de toiros, tanto com o capote, que manejou com facilidade e desenvoltura, como, sobretudo, com a muleta, onde fez alarde das suas imensas faculdades técnicas e artísticas, derramando arte e valor que o público apreciou em fortes e calorosas ovações.

“Parreirita Cigano” e Francisco Parreira justificaram plenamente a sua presença na principal praça do país e, respeitando os respectivos estilos, andaram em plano de muita dignidade, destacando-se em alguns pormenores indiciadores de bom futuro.

O aluno de Manuel Jorge de Oliveira afirmou o seu estilo pinturero e emotivo, pisando terrenos de muito compromisso, e o “pupilo” de António Telles, evidenciou-se numa actuação bem ao jeito clássico do seu inspirador mestre, embora aqui e além tivesse exagerado um pouco no andamento das suas montadas. Mas, a ambos se augura um bom futuro. O Grupo de Forcados Amadores do Redondo rubricou duas valorosas pegas ao primeiro intento, demonstrando coesão e eficácia nas ajudas.

Ludgero Mendes

*Texto publicado em edição impressa de 2 Outubro