Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e SocialO Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social (CIDLeS) vai realizar, a 01 e 02 de Julho, em Alcanena, o primeiro simpósio internacional sobre “Línguas e variedades linguísticas ameaçadas na Península Ibérica: Documentação e Revitalização”.

Vera Ferreira, presidente do CIDLeS, disse à Lusa que o simpósio, pensado inicialmente para um dia, acabou por ser alargado dado o elevado número de comunicações inscritas, que versarão temáticas que vão do trabalho de documentação linguística ao desenvolvimento de tecnologias, passando por uma análise de quem são as pessoas que estão a aprender línguas minoritárias e variedades linguísticas, como as comunidades encaram estas línguas e que políticas de língua existem (ou não).

Será ainda apresentado um trabalho que tem vindo a ser desenvolvido na zona de fronteira entre Portugal e Espanha, que tem passado pela recolha áudio e vídeo mas também de publicações escritas sobre “variedades” do português e do espanhol, como é o caso do português de Olivença ou da fala da estremadura espanhola, disse.

Vera Ferreira afirmou que neste simpósio poderão ser lançadas “as bases para um trabalho interdisciplinar entre as artes performativas e a linguística, ao iniciar a reflexão e discussão acerca do papel das artes performativas na revitalização linguística”.

Este trabalho, que o CIDLeS, com sede em Minde (concelho de Alcanena, distrito de Santarém) vai realizar com a associação cultural Materiais Diversos, procurará explorar como o conhecimento proveniente das artes performativas pode ajudar a revitalizar uma língua em risco de extinção, neste caso o minderico.

Embora o simpósio se reporte apenas à Península Ibérica, contará com a participação de investigadores vindos de outros países, como a República Checa, o México ou os Estados Unidos, neste caso uma equipa da Indiana University que está a trabalhar sobre o barrancanho (falado no concelho alentejano de Barrancos), afirmou.

Para a organização do simpósio, o CIDLeS conta com a parceria do projeto Frontespo da Universidade de Alcalá, da Universidade Autónoma de Querétaro (México) e do Laboratório Nacional de Materiales Orales.

Com a Universidade de Querétaro, o CIDLeS está a desenvolver uma parceria para a realização conjunta de um mestrado, decorrendo a parte teórica relativa à recolha e documentação em Minde e a parte prática junto de comunidades indígenas no México, disse Vera Ferreira à Lusa.

As inscrições para participação no simpósio podem ser feitas online até ao final do mês em http://www.cidles.eu/events/lapi-2016/inscricao/.