Ana Batista 2A praça de toiros de Coruche foi o palco escolhido para a comemoração do 15º aniversário da alternativa de Ana Batista, que ali se “doutorou” a 8 de Julho de 2000, tendo então como padrinho Joaquim Bastinhas, em cerimónia especialmente abrilhantada pela prestigiante presença de D. Conchita Cintrón. No passado domingo, em tarde de excessivo calor, o público não afluiu em número muito expressivo, porém, o ambiente estava bem agradável e o espectáculo teve qualidade, muito se ficando a dever também ao bom comportamento do curro de Veiga Teixeira, irrepreensivelmente apresentado.

António Telles houve-se a contento na lide do primeiro toiro da tarde, rubricando uma actuação em crescendo de interesse, culminando em muito bom plano, com o marialva da Torrinha, que nesta mesma tarde tinha de tourear em Sobral de Monte Agraço, a brilhar na brega, bem ao seu estilo clássico, e a colocar certeira ferragem.

Rui Salvador também esteve em bom plano enfrentando um toiro algo distraído, porém o marialva arquitecto contornou facilmente essa contrariedade e assinou uma meritória actuação, sublinhada com os ferros curtos com a carga emotiva que é peculiar neste veterano cavaleiro.

Luís Rouxinol brilhou sobremaneira na lide que ministrou ao seu bonito oponente, preparando superiormente cada sorte e rematando-as com o fulgor habitual, atingindo o melhor nível na colocação da ferragem suplementar, um palmito e um par de bandarilhas de grande qualidade.

Ana Batista abriu a segunda parte do festejo e rubricou uma actuação de grande classe, embora o toiro que lhe coube em sorte, o mais pesado da corrida, tenha transmitido menos emoção que os restantes. Desenhando bem cada sorte e esmerando-se em produzir um labor de qualidade a cavaleira de Salvaterra despachou correctamente a ferragem comprida e curta e saiu em plano de apoteose, com o público a expressar o carinho que nutre por tão interessante toureira, para mais em jornada festiva.

Marcos Bastinhas saiu a substituir seu pai, a convalescer de grave acidente ocorrido há cerca de três semanas, e honrou a figura paterna rubricando uma actuação muito meritória, desenvolvendo vistosa brega e colocando certeira ferragem, primeiro citando de largo, e depois, com os curtos, a reduzir distâncias e a expender um toureio mais encimista, mas igualmente interessante. Como corolário desta boa actuação, Marcos Bastinhas cravou dois portentosos pares de bandarilhas, muito aplaudidos pelo respeitável.

A encerrar a corrida actuou Marcelo Mendes que, sem grandes cometimentos, logrou rubricar uma boa actuação, assente em brega correcta e na colocação regular da ferragem, primando essencialmente nos cites emotivos das últimas sortes, aproveitando a qualidade da sua montada que constitui, de facto, uma assinalável mais-valia.

As pegas estiveram cometidas aos Grupos de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira e de Coruche, capitaneados, respectivamente, por Ricardo Castelo e por Amorim Ribeiro Lopes, os quais se desincumbiram galhardamente deste exigente desafio. Pelos Amadores vila-franquenses foram solistas Pedro Castelo, que consumou boa pega ao primeiro intento, Rui Godinho que se fechou apenas ao terceiro intento, e Bruno Casquinha que concretizou vistosa pega na sua única tentativa, enquanto pelos Amadores da capital do Sorraia foram solistas Paulo Oliveira, que consumou a sua sorte à segunda tentativa, e José Tomás e António Tomás, que concretizaram as suas sortes apenas à terceira, não por seu demérito, mas porque os toiros chegaram ao momento da pega pujantes de força, aspecto que muito dificultou a acção de todos os forcados, mas que emprestou muita emoção à corrida.

Dirigiu com acerto João Cantinho, assessorado tecnicamente pelo médico-veterinário Dr. João Nobre

 

*Texto publicado em edição impressa de 25 Setembro

Download PDF