Cumprem-se neste mês de Outubro duas infaustas efemérides relacionadas com estas duas inolvidáveis personalidades de Santarém – a 24 de Outubro de 1975 faleceu Celestino Graça e a 18 de Outubro de 2004 faleceu António Cacho.

Não poderemos deixar de evocar estas tão proeminentes figuras da nossa região, cuja acção e exemplo constituem ainda hoje profunda referência ao nível do que eram no seu tempo e o que são nos nossos dias Santarém e o Ribatejo.

O legado destes dois grandes amigos, protagonistas de tantas causas comuns, às quais se devotaram com a maior generosidade e altruísmo, impõe que os resgatemos da inapelável lei do esquecimento a que uma sociedade individualista e interesseira tendencialmente destina quem morre, na senda do que faz com a maioria dos nossos mais dilectos concidadãos. E tantos exemplos poderíamos carrear…

Ambos se devotaram à fundação da “Briosa” Associação Académica de Santarém, de que foram atletas e dirigentes, e, alguns anos mais tarde, em 1954, assumiram o grande desafio de organizar a Feira do Ribatejo, que viria a ser elevada ao estatuto de Feira Nacional de Agricultura, pelo merecimento da sua acção em prol dos sectores agrícola e pecuário, cuja internacionalização também promoveram através da presença de pavilhões oficiais de diversos países estrangeiros, nomeadamente Alemanha, Itália, Brasil, França, Bélgica, Holanda, Grã-Bretanha, Dinamarca e os Estados Unidos da América.

No âmbito da programação sociocultural da Feira do Ribatejo haveria de nascer, em 1959, o Festival Internacional de Folclore de Santarém, o que deu maior projecção ao folclore português que pontificava em todas as edições da Feira, sem esquecer, naturalmente, outros aspectos da nossa cultura que aqui tiveram um destaque imenso, como foram os casos do fado, das bandas filarmónicas e das manifestações típicas, a que a emblemática figura do campino emprestava tamanho brilho e desusada animação. Era o campo que vinha à cidade concitando em seu torno a atenção e a curiosidade de milhares e milhares de forasteiros.

A gastronomia portuguesa, servida nos restaurantes ou nas tabernas típicas, constituía, igualmente, um grande atractivo, a par dos pavilhões onde o vinho era rei, numa antecipação premonitória da importância que o sector vinícola viria a desempenhar na economia nacional.

Para além de todos estes aspectos de convergência de interesses e de gosto, a tauromaquia era também uma paixão comum, pelo que as entradas e largadas de toiros, na imponente manga que demarcava todo o centro do vasto campo da Feira, os festivais taurinos na praceta, junto ao Pavilhão da Abídis, e as toiradas, primeiro nas ruínas do antigo convento de S. Domingos, e a partir de 1964 na nova praça de toiros, marcavam o pulsar de um certame que inteiramente se devotava à exaltação das melhores tradições ribatejanas.

Santarém e o Ribatejo foram a pedra de toque na acção destas duas excepcionais personalidades da nossa região, pelo que lembrá-los na passagem de mais um aniversário sobre a data do seu infausto passamento, para além de um imperativo de consciência, é, sobretudo, o reconhecimento da falta que nos fazem figuras desta grandeza para empenhadamente impedirem o apoucamento e a menorização da região que nos serviu de berço.

As nossas Homenagens! Viverão eternamente na nossa memória e no nosso coração!

Ludgero Mendes