Antonio CachoAntónio Cacho, ilustre cidadão ribatejano natural da Golegã, onde nasceu a 3 de Maio de 1917, que viveu praticamente toda a sua vida em Santarém, faleceu no infausto dia 18 de Outubro de 2004, deixando todos os seus imensos amigos e a nossa cidade mais empobrecidos, posto que a sua vida e a sua obra são um notável exemplo, que deveria constituir um legado de experiência e de carácter para os mais jovens.

A dedicação a actividades culturais, artísticas e desportivas, onde sempre evidenciou atributos de excelência, permitiram desvendar um homem inteligente, culto e perspicaz, que viria a revelar-se ao longo de toda a sua vida através de um desempenho profissional e empresarial de grande elevação, para além das relevantes acções cívicas prestadas no âmbito da Comissão da Feira do Ribatejo-Feira Nacional de Agricultura, da Região de Turismo do Ribatejo, da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, da Santa Casa de Misericórdia de Santarém e de diversas associações locais, como a Associação Académica de Santarém, o Teatro Taborda, o Círculo Cultural Scalabitano e o Grupo Académico de Danças Ribatejanas.

Técnico Oficial de Contas dos mais competentes da sua geração, António Cacho participou de forma intensa e profunda na gestão da Camionagem Ribatejana, que após diversas fases veio a ser integrada na Rodoviária Nacional. A nível empresarial destacam-se as suas participações na Tipografia Galdete, ao tempo uma das mais modernas da região, tendo sido a primeira gráfica de Santarém a utilizar a técnica offset, e na área do turismo, de que era um especialista, criou e dirigiu a Agência Central de Viagens e Turismo de Santarém, pioneira regionalmente e uma das mais prestigiadas do país. Em ambas as experiências empresariais, após a consolidação dos respectivos projectos, António Cacho cedeu a sua posição societária aos respectivos trabalhadores em condições de uma singular generosidade.

Aficionado culto e exigente, António Cacho assistiu durante largas temporadas a importantes feiras taurinas no país vizinho, de Castellón a Salamanca, passando, claro, pelas “Fallas” de Valência, pela Feira de Abril, em Sevilha, e pela “Izidrada” em Madrid, enquanto era presença assídua em todas as corridas em Santarém e em algumas outras que criteriosamente escolhia entre a oferta do calendário taurino nacional.

Nas páginas do “Correio do Ribatejo”, de que foi um dos mais ilustres Colaboradores, e aos microfones da Rádio Pernes, cooperando semanalmente no magazine tauromáquico “Ecos do Burladero”, António Cacho derramou a arte e o saber que fizeram de si uma das figuras mais escutadas entre o meio aficionado.

O seu exemplo, aliado à sua obra notável, perpetuam para todo o sempre a memória de um homem de um carácter extraordinário, que jamais esqueceremos, lamentando, uma vez mais, a injustiça e o esquecimento das autarquias escalabitanas que tardam em cumprir um dos mais basilares atributos de uma sociedade plena e maior – a Gratidão. Para quando a atribuição do prestigiado nome de António Cacho a uma artéria da nossa urbe? Fica apenas a pergunta, sem mais comentários…

LM

*Texto publicado em edição impressa de 16 Outubro

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