appacdmA Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Santarém tem uma lista de espera de 44 pessoas, que estão “sem retaguarda” e aguardam por um lugar num dos lares residenciais da instituição.

A celebrar este mês os 44 anos de existência, a APPACDM de Santarém gostaria de encontrar abertura por parte do Estado para uma maior “flexibilização” das respostas, permitindo, por exemplo, a adaptação de residências que são oferecidas pelas famílias dos utentes, disseram à Lusa o presidente e a directora pedagógica da associação.

“Nunca mais teremos resposta para estas pessoas. Não há dinheiro” para construir de raiz estruturas como a que foi criada recentemente no Cartaxo, uma obra de um milhão de euros que acolhe 12 pessoas com mobilidade reduzida, “quando se pode adaptar, ajustar às necessidades” perante cada situação concreta, disse à Lusa Maria do Céu Dias.

Luís Amaral referiu o envelhecimento tanto dos clientes (o mais velho a frequentar a instituição tem 68 anos) como das famílias, que se deparam com a “aflição” de deixar “sem retaguarda” os filhos, alguns a frequentarem a instituição durante o dia.

Para Maria do Céu Dias, é lamentável que não exista a possibilidade de aproveitar as ofertas dos pais (que querem doar as suas residências, muitas vezes vivendas, pedindo que os filhos permaneçam em casa) e adaptar o espaço às necessidades, numa solução “mais fácil, mais económica e mais humana”, pois permitiria acolher e dar assistência, na mesma habitação, a outras pessoas.

“Só para dar um exemplo. Um pai com um filho único morre. A mãe tem 83 anos. O pai deixou escrito que a casa, uma vivenda, fica para a instituição na condição de o filho ficar no seu espaço. Porque não abrir as portas a mais duas ou três pessoas, adaptando o espaço e dar-lhes o apoio de que precisam?”, interrogou.

Maria do Céu Dias referiu ainda o “cansaço” das famílias, que, depois de “uma vida inteira” de cuidados estão “exaustas”, uma situação a que a instituição tem procurado dar respostas “pontuais”, como receber os filhos quando os clientes dos lares residenciais se ausentam, por exemplo ao fim de semana, como está a acontecer com três deles, de 15 em 15 dias.

“Recebemo-los na sexta-feira à noite e saem na segunda-feira de manhã, permitindo algum descanso” aos cuidadores, disse, referindo ainda as situações em que os pais são hospitalizados e é preciso dar resposta.

“É urgente uma resposta não tipificada”, frisou.

Luís Amaral apontou, ainda, as dificuldades financeiras por que passam muitas destas famílias, geralmente a viver de pensões muito baixas, sendo “imensas as dívidas” à instituição, que “não cumpre o regulamento” pois tem “dificuldade em dizer ‘não paga, vai embora’”.

“São felizes aqui. Até doentes querem vir. Em casa estão sozinhos, desocupados”, disse, sublinhando Céu Dias a importância dos “afetos” e do “carinho”.

Com uma equipa de 123 funcionários, “uma grande nau”, o que representa cerca de 100.000 euros em salários, estas instituições são “uma escola para aprender a gerir dinheiro”, afirmou Luís Amaral.

A viver dos acordos celebrados com a Segurança Social e a Educação, das mensalidades dos pais (a partir dos 18 anos), de quotas, donativos, vendas e contributos via IRS (com os donativos a partir das declarações dos contribuintes a crescer nos últimos anos), a APPACDM “concorre a muitos projetos”, tanto ao abrigo de fundos comunitários (para formação profissional) como promovidos por empresas.

A APPACDM Santarém apoia 43 crianças até aos 6 anos e 204 dos 6 aos 18 anos (essencialmente nos centros de recursos de cinco agrupamentos de escolas, de Santarém e do Cartaxo), tendo ainda dois centros de actividades ocupacionais (para mais de 18 anos), com um total de 135 frequentadores, 45 utentes em regime de formação e emprego e 55 em duas residências autónomas e em quatro lares residenciais.