A artista plástica Fernanda Narciso inaugurou no dia 16 de Setembro, pelas 18h30, no Palácio do Landal, em Santarém, a exposição de pintura e instalações “As Candeias”, 24 telas e sete instalações que procuram mostrar “algumas formas de arte, como a dança, o teatro, o cinema a poesia e a ópera, que nos iluminam e inspiram”.

Fernanda Narciso nasceu em Santarém. Estudou Artes no IADE, ARCO e Escola António Arroio e tem o seu atelier em Perofilho, Santarém. Ao longo do percurso artístico tem mostrado o seu trabalho tanto em Portugal como no estrangeiro.

A exposição estará patente até 14 de Outubro.

O que trata a exposição ‘As Candeias’?

‘As Candeias’ são as formas de arte que me iluminaram e inspiraram toda a minha vida. As lamparinas de azeite, dão-nos uma luz ténue, e o azeite além de ser uma fonte de energia, também pode ser utilizado nas artes plásticas e dá-nos, aplicado em papéis, transparências fantásticas cor madrepérola, técnica que eu tenho vindo a descobrir.

O que poderemos ver na exposição patente no Palácio Landal, em Santarém?

A exposição conta com 24 telas e sete instalações. Em 2007, iniciei na Polónia um projecto a que chamei ‘Woman Box’, onde pego nos objectos do quotidiano, altero-lhes o seu significado e formo com eles uma peça única.

Chega uma altura, em que sentimos necessidade de experimentar novos materiais, novas dimensões e novos diálogos.

Isso faz com estejamos sempre a criar coisas novas. É assim que eu penso e, para mim, não pode ser de outra maneira.

Para além de ‘As Candeias’ quais serão os novos frutos dessa procura contínua?

Os projectos para o futuro serão desenvolver muito bem a técnica das transparências do papel. Costumo fazer, anualmente, um trabalho de grande dimensão.

O ano passado foram ‘Os Bichos’, este ano são ‘As Candeias’ e para o ano vou trabalhar o tema ‘chão’. Ou seja, o chão que nós pisamos, o que encontramos por lá, o chão que existe à nossa volta e o que já pisámos no mundo. Os diferentes chãos do mundo.

Há algum projecto que gostasse de realizar no imediato?

Gostava de poder reunir todas as minhas instalações num mesmo espaço, porque a instalação, ao contrário da pintura, necessita de um espaço próprio, amplo, para que a peça possa ser vista em todas as dimensões.

Aqui na nossa cidade, já começa a ser difícil, penso que já gastei todos os espaços interessantes da cidade, falta-me apenas algumas igrejas, como Santa Clara, por exemplo.

Como caracteriza o seu processo criativo?

O meu processo criativo é sempre um processo de três fases: a primeira em que a ideia germina e tudo germina no escuro; numa segunda fase, essa ideia vai tomando corpo e eu passo a registar tudo aquilo que vivo: desde conversas com amigos, sons, imagens, vou captando tudo isso num bloquinho que me acompanha sempre e, no qual, vou registando sempre tudo. A terceira fase é a escolha da técnica, dos materiais, onde a ideia deixa de ser uma letra, uma linha, um ponto e passa a ter um corpo.

Se pudesse alterar um facto da História, qual escolheria?

Apagava do mapa a Guerra Colonial.

Um título para o livro da sua vida?

Espero que a minha vida não tenha só um livro. O próximo vai chamar-se ‘Os Corpos’.

Se um dia tivesse de entrar num filme que género preferiria?

Neste momento? Um thriller…

Música imprescindível?

Clássica e Jazz.

Filme que recomenda?

Recomendo a todos que veem o cinema como uma forma de arte, e por ele ser belo: ‘Vale Abraão’, de Manoel de Oliveira.

Viagem de sonho?

Eu já fiz a minha viagem de sonho…

Prato favorito?

Sardinhas assadas.

Acordo ortográfico. Sim ou não?

Não.