Carlos BajancaA Vila era dotada com um monumental conjunto de torres ao longo da muralha e junto das portas da Vila. Para além da sua função militar, as torres possibilitavam a comunicação à distância com outras torres localizadas na lezíria, através de avisos de fogo e de sinais com espelhos, em caso de perigo eminente.

“Na Cerca da Vila Alta, existiram vinte e duas Torres, sendo dezoito quadradas e quatro redondas”. A maior concentração de torres era no núcleo da Alcáçova, num “total de doze, seis redondas e as restantes quadradas”. A Porta da Alcáçova dispunha de duas torres. A mais alta era a Torre do Bufo, que no período medieval se identificava como a Torre da Covilhã. A sua construção remonta à época dos primeiros reis portugueses, tendo sido demolida em 1660. Do lado esquerdo, para quem entrava na Porta da Alcáçova, ficava a Torre da Ladra. Outra importante torre, mas de localização desconhecida, foi a Torre da Barata.

Fora da Alcáçova existiam também inúmeras torres, cujo conjunto completava o “coroamento” da Vila e que desapareceu nos séculos XV-XVI. A Porta de Alpram era uma das mais importantes, sendo ladeada por duas torres: uma redonda, ligada à igreja de S. João do Alporão e a outra quadrada, situada no lado oposto, que, segundo Ângela Beirante correspondia na Idade Média à Torre de Alpram. Esta foi antepassada da atual Torre das Cabaças, sendo no séc. XV escolhida para a colocação de um relógio, razão pela qual passou a ser conhecida por Torre do Relógio.

Junto à Porta das Figueiras existiam duas torres do período fernandino, cujos nomes se desconhecem. No troço ocidental da muralha localizavam-se outras duas, uma de nome desconhecido e a outra denominada Torre do Conde (conhecida até ao séc. XVII como Torre do Ouro). Junto ao Postigo de S. Domingos existiu a Torre da Albarrã. De localização incerta, no recinto fortificado do Monte da Pedreira, encontrava-se a Torre do Conde da Torre.

A Porta de Manços era guardada por três torres, conhecidas pelas Torres da Relação: a Torre da Porta de Manços, a Torre do Sol e a Torre da Casa da Suplicação. Junto à Porta de Leiria existia a Torre da Aposentadoria dos Contos, também chamada Torre dos Mesteres. Incorporadas na fortificação do Castelo da Vila existiam mais três: a Torre de Menagem (a mais alta), a Torre dos Presos ou da Gaiola e a Torre do Alcaide-mor.

As couraças que desciam as encostas até aos núcleos ribeirinhos eram guarnecidas por diversas torres quadrangulares, cujo conjunto desapareceu perante os desabamentos da encosta.

Na Ribeira de Santarém existiram diversos torreões e torres, cujos nomes se desconhecem na maioria. A sua localização predominava junto das portas e postigos existentes nas muralhas que defendiam o aglomerado.

 Carlos Bajanca

*Texto publicado em edição impressa de 10 Julho

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