Os presidentes da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede e da Câmara de Alpiarça reagiram ontem, dia 2 de Janeiro, com surpresa e preocupação à notícia sobre o encerramento das lojas dos CTT, tendo assegurado que vão tentar reverter a decisão.

As estações dos correios de Alferrarede, em Abrantes, e de Alpiarça, na sede de concelho ribatejano, ambas no distrito de Santarém, constam da lista de 22 lojas que a administração dos CTT confirmou que quer fechar em breve.

O presidente da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede, o socialista Bruno Tomás, disse à agência Lusa que foi com “surpresa e muita preocupação” que leu hoje a notícia do encerramento da estação de correios em Alferrarede, uma vez a loja em causa “está na zona mais populosa e de maior expansão da cidade”.

Este fecho, segundo o autarca, vem juntar-se “à falta de carteiros e aos atrasos recorrentes na distribuição, prejudicando toda a população num serviço que se quer público, de proximidade e de qualidade”, tendo observado que naquela União de Freguesias habitam cerca de 18.400 pessoas, cerca de metade do total da população do concelho.

A outra estação de correios de Abrantes fica no centro histórico da cidade, uma zona menos populosa.

“Não se consegue perceber esta decisão nem o que vai acontecer aos trabalhadores, pelo que o executivo desta União de Freguesias vai reunir de urgência e de forma extraordinária na quinta-feira e tenho a intenção de pedir para que a administração dos CTT nos receba para explicar os motivos desta decisão, que iremos tentar inverter”, afirmou Bruno Tomás.

Ainda no distrito de Santarém, o presidente da Câmara Municipal de Alpiarça, Mário Pereira (CDU), reagiu à notícia do fecho da estação dos correios na sede do concelho com “preocupação”, tendo afirmado à Lusa que “o que está em causa é a prestação de um serviço público essencial” para uma população composta por cerca de 7.800 pessoas.

“Era uma possibilidade que pairava e foi-me garantido que não havia essa intenção nas várias vezes que reuni com a administração dos CTT, pelo que espero que ainda haja margem para dialogar e evitar este fecho de um serviço público essencial e que é o único no concelho” de Alpiarça, disse o autarca.

O autarca afirmou que, “além da estação em Alpiarça, que serve todo o concelho, só existe na zona uma loja dos CTT instalada numa papelaria desde Abril, mas que não tem todas as valências e só presta alguns serviços”, afirmado que a autarquia vai fazer “todos os possíveis para reverter” a situação.

“Vou pedir uma reunião com carácter de urgência à administração dos CTT e explicar a necessidade de manter a funcionar em Alpiarça este serviço essencial para a população e com todas as valências que actualmente dispõe”, afirmou o autarca.

De acordo com um esclarecimento enviado às redações, os CTT referiram que o encerramento destas 22 lojas “não coloca em causa o serviço de proximidade às populações e aos clientes, uma vez que existem outros pontos de acesso nas zonas respetivas que dão total garantia na resposta às necessidades face à procura existente”.

Em causa estão os seguintes balcões: Junqueira, Avenida (Loulé), Universidade (Aveiro), Termas de São Vicente, Socorro (Lisboa), Riba de Ave, Paços de Brandão (Santa Maria da Feira), Lavradio (Barreiro), Galiza (Porto), Freamunde, Filipa de Lencastre (Belas), Olaias (Lisboa), Camarate, Calheta (Ponta Delgada), Barrosinhas (Águeda), Asprela (Porto), Areosa (Porto), Araucária (Vila Real), Alpiarça, Alferrarede, Aldeia de Paio Pires e Arco da Calheta (Madeira).

Os CTT adiantam que, numa primeira fase, o encerramento das 22 lojas está sob “consulta” da Comissão de Trabalhadores, “seguindo-se então o contacto com as entidades locais”.