A par das insultuosas afirmações do impronunciável presidente do Eurogrupo para com os países do sul da Europa, assistimos a inadmissíveis pressões e ameaças sobre o nosso país a partir de instituições diversas da União Europeia. Anunciado que foi o cumprimento das metas do défice, logo veio alguém do Banco Central Europeu dizer que isso não era suficiente para tirar Portugal do procedimento por défice excessivo, na medida em que subsistem “desvios significativos no défice estrutural”. E volta então a intolerável ameaça de novas sanções se não forem adotadas as medidas do costume: mais cortes, mais despedimentos, mais austeridade, travestidas como sempre com a sacrossanta fórmula das “reformas estruturais”.

Como se não bastasse, apareceu no fim da passada semana mais um facto alternativo na imprensa portuguesa: ao contrário de tudo o que até aqui foi praticado e está acordado, a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos seria contabilizada no défice e lá se iria o cumprimento das metas do défice. O PSD e o CDS não esconderam o seu regozijo. Mas, mais uma vez, falso alarme. Não passou, até ver, de mais uma falsa ameaça.

Agora aparece também mais um dos recorrentes relatórios da Comissão Europeia desta vez relativo à não-sei-quantagésima avaliação pós-ajustamento, dizer que há uma incerteza quanto à meta do défice público, no valor estimado de 760 milhões de euros, como se a Comissão Europeia não tivesse já demonstrado a sua falta de credibilidade no que diz respeito às contas que faz sobre Portugal. Acresce a tudo isto a grosseira ingerência da Direção Geral da Concorrência que, não satisfeita por ter coagido o Estado Português a oferecer o BANIF ao Santander à custa dos contribuintes portugueses, pretende agora impor uma solução para o Novo Banco mais uma vez à custa do mais elementar interesse nacional.

É preciso dizer basta. Não chega dizer que o senhor fulano não tem condições para continuar à frente do Eurogrupo, é preciso dizer aos senhores que mandam no Eurogrupo, na Comissão Europeia, no BCE e na DG Comp., que Portugal não é uma República das bananas e que este país é habitado por um povo que merece um mínimo de respeito.

António Filipe

Deputado do PCP eleito por Santarém

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