Maria Fernanda Barata (3)Era uma vez um casal muito pobre que trabalhava de sol a sol para conseguir o sustento para os seus filhos.

Certo dia em que ia buscar pinhas (para o lume) e passando junto do Penedo da Bica, ouviu gemidos estranhos que pareciam vir de dentro do penedo.

No mesmo instante, apareceu à sua frente uma moura que lhe pediu ajuda porque uma sua irmã estava em aflições para ter um filho.

Solidariamente, ela seguiu a moura, no sentido de dar uma ajuda em momento tão difícil.

A pobre mulher foi surpreendida por uma porta, seguida de um corredor onde avultavam pedrarias, ouro e muitas riquezas.

A sua admiração não tinha limites, perante uma situação tão estranha.

Com a sua preciosa ajuda, nasceu uma menina, logo mimada por fadas, suas madrinhas.

Como recompensa (que estranha recompensa, pensava ela!) a moura deu-lhe uma cafeteira cheia de brasas queimadas.

Entretanto, a cafeteira começava a pesar imenso e a aldeã teve a ideia de as deitar fora e guardar a cafeteira, que tinha préstimo na sua pobre casa.

Mas, surpresa, das surpresas, cada brasa era uma moeda de ouro!

Ao querer tirá-las do chão, logo desaparecera, como por encanto!

Chegada a casa, contou ao marido o que se havia passado, facto que ele não levou a sério e até ridicularizou.

Inesperadamente, saiu da cafeteira uma moeda de ouro que rolou aos pés do casal.

Essa moeda contribuiu para uma melhoria das suas vidas, tão marcadas pelo sofrimento e pelo trabalho duro.

Aqui fica uma lenda do nosso Ribatejo, tão cheio de sonhos de encantar, ao lado de amarguras que fazem a moldura de uma terra ímpar de beleza e de encantamento.

 

Um cumprimento ao Leitor

Mª Fernanda Barata

*Texto publicado em edição impressa a 26 de Junho