Maria Fernanda Barata (3)Diz a lenda que em tempos muito antigos vivia uma galega em Santarém.

Essa galega era hábil para negócios e, como tal, pensou em arranjar uma estalagem para melhorar a sua vida.

Como o dinheiro não abundava, a primeira estalagem teve lugar numa casa de madeira com fracas condições, mas servia para pessoas de poucos recursos, descansarem ou comerem alguma coisa. A pouco e pouco, a galega que era ambiciosa e boa administradora, melhorou a pequena estalagem e, dai a pouco tempo, já tinha camas para os viajantes que seguiam para Lisboa e outras terras.

O velho casarão de madeira passou a uma construção de pedra e cal, a que deram o nome de “Venda da Galega”, que, por sua vez, mais tarde, deu origem a uma povoação.

Entretanto, apareceu na dota estalagem um fidalgo que, conversando com a galega, lamentou a ausência de um homem que, ao seu lado, a ajudasse a aumentar o negócio.

Ela respondeu prontamente que já tinha pensado no assunto, mas em vão, embora surgissem pretendentes que olhariam apenas para os bens que tanto lhe tinham custado a ganhar.

O fidalgo propôs casamento à galega e esperava pela resposta positiva que mudaria a sua vida.

Ao mesmo tempo, apareceu na estalagem um velhote acompanhado de uma filha.

Quis o destino que acabassem por ficar, talvez rendidos à beleza do lugar e não só.

Passado algum tempo, apareceu o fidalgo para receber a resposta à sua proposta de casamento, mas em vez da galega, apareceu a filha do velhote, com grande espanto do fidalgo.

A lenda terminou assim:- O velhote acabou por morrer, o fidalgo matreiro foi expulso e a jovem foi aceite como filha adoptiva da galega e sua herdeira.

No pequeno lugar da estalagem foi criada a povoação de Vila Galega, depois Galegã.

O seu nome actual é Golegã, uma terra muito bonita e visitada por muitos turistas nacionais e estrangeiros, especialmente na altura da sua importante feira, onde os cavalos atraem a atenção de todos.

 Um cumprimento ao Leitor

Mª Fernanda Barata

*Texto publicado em edição impressa a 22 de Maio de 2015