Maria Fernanda Barata (3)Diz a lenda que no lugar de Reboludo, (Pampilhosa da Serra) certa vez, um homem estava a cortar um grande ramo de um castanheiro e que, imprudentemente, se sentou no mesmo.

Continuando a serrar, aconteceu passar por aquele sítio, um almocreve que o avisou do perigo que corria.

O homem, que até era serrador, em lugar de agradecer o aviso, disse-lhe rudemente:

-“Meta-se na sua vida”

O almocreve seguiu o seu caminho e o ramo do castanheiro caiu mesmo e, com ele, o serrador que ficou atordoado com a queda.

E o que pensou este? Que o almocreve era um algum “santo”, pois adivinhara o que se iria passar.

O serrador desatou a correr e conseguiu apanhar o almocreve à entrada de uma ponte. De imediato, perguntou-lhe quando iria morrer, respondendo-lhe o almocreve que carregasse o seu burro de madeira e quando o animal desse um “sinal” seria o momento da sua morte.

O burro, carregadíssimo, deu vários sinais e realmente, o serrador morreu.

O burro voltou à aldeia sem o seu dono e logo a vizinhança procurou o homem.

Encontrou-o estendido no chão, sem sinais de vida e fizeram-lhe o funeral.

Havia dois caminhos para o cemitério e levantou-se a dúvida, por qual seguir.

Perante a incerteza, alguém disse que deveria ser o morto a tomar a decisão.

Para o espanto de todos, o morto disse:

-“Quando eu era vivo ia por ali.”

Em seguida, deitou-se no caixão e o funeral seguiu para o cemitério.

Esta é uma lenda criada pela ingenuidade e criatividade do povo de outros tempos.

Em quase todas as lendas há um certo lado místico, tão comum como a superstição ou a crendice popular.

 Um cumprimento ao Leitor

Mª Fernanda Barata

*Texto publicado em edição impressa a 03 Julho