A Câmara de Abrantes anunciou na passada segunda-feira, dia 5 de Fevereiro, que vai notificar a empresa Abrantáqua para proceder às devidas correções na ETAR da Fonte Quente, na sequência do anúncio que a mesma se encontra em incumprimento dos parâmetros a que está obrigada.

Em comunicado, a autarquia de Abrantes refere que, “relativamente às inspeções realizadas no território de Abrantes, os resultados dão conta de incumprimento de parâmetros ocorridos na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Fonte Quente, em relação aos níveis de carência bioquímica e química de oxigénio e de sólidos suspensos totais”, tendo dado conta que a Abrantáqua, concessionária de águas residuais no concelho de Abrantes, “será notificada para proceder às devidas correções”.

O inspetor-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) revelou no mesmo dia que a ETAR de Abrantes “encontra-se em incumprimento dos parâmetros a que está obrigada”, tendo Nuno Banza referido não considerar aqueles incumprimentos “expressivos uma vez que esta ETAR apenas contribui com 5% da carga orgânica despejada no Tejo”.

O responsável falava no âmbito de uma conferência de imprensa de apresentação dos resultados das análises efetuadas aos efluentes das ETAR urbanas e industriais descarregados no rio Tejo.

Sobre os dados hoje revelados, a Câmara Municipal de Abrantes afirmou “congratular-se com as diligencias dos serviços do Ministério do Ambiente com vista a apurar responsabilidades sobre o cenário devastador de poluição no Rio Tejo”, tendo sublinhado que vai “assumir as suas responsabilidades”.

Nesse sentido, “enquanto entidade responsável pela concessão deste serviço, vai solicitar à entidade concessionária, a Abrantáqua, esclarecimentos sobre a situação aludida pelo resultado das inspeções”.

A autarquia, liderada pela socialista Maria do Céu Albuquerque, “refuta que uma situação que eventualmente tenha acontecido e que é de carácter pontual”, seja apontada como estando na origem do manto de espuma no rio”, ocorrido nas últimas semanas.

“Não há descargas de ETAR´s urbanas capazes de provocar o que se tem assistido no rio Tejo, nomeadamente no território de Abrantes, bem como a montante de Abrantes com episódios constantes de espuma”, advogou, tendo afirmado que este é “um problema nacional que urge respostas urgentes, sob pena de se perder um grande activo nacional que é o rio Tejo”.

A IGAMAOT realizou análises desde o dia 24 de Janeiro, após o alerta da presença de espuma no açude de Abrantes, tendo sido isolados os alvos com maior risco de poderem estar na origem da ocorrência deste fenómeno de poluição no rio Tejo.

No troço do rio Tejo entre Perais e Abrantes, foram identificadas quatro ETAR urbanas nos concelhos de Abrantes e de Mação e ainda três unidades industriais, designadamente Celtejo, Paper Prime e Navigator.

Das ETAR e indústrias identificadas, a IGAMAOT deparou-se com “vários constrangimentos inusitados” na amostragem realizada na Celtejo, pelo que os resultados desta empresa de celulose “são esperados na próxima semana”, informou Nuno Banza.

A dificuldade na recolha de amostras na Celtejo que resultaram na não divulgação das respetivas análises já foi criticada pelo Movimento pelo Tejo – proTEJO, que afirmou que tal situação é “inconcebível”.

Em declarações à Lusa, Paulo Constantino, porta-voz daquele movimento ambientalista, disse ser “inconcebível não haver resultados da Celtejo”, tendo defendido que “a demora na recolha de amostras naquela empresa pode pôr em causa a credibilidade de todo este processo de análises recolhidas e a sua fiabilidade”.

Segundo Paulo Constantino, “importa apurar as implicações da demora de vários dias na recolha de amostras” e, defendeu, “a APA deve explicar se existem implicações negativas”.

Foto: mediotejo.net