A Câmara de Santarém vai apoiar as cerca de 17 famílias de um acampamento cigano que está instalado no Vale de Santarém, na zona do Pinheiro das Areias e que agora terão de abandonar o local.

O Tribunal deu razão ao proprietário do terreno e mandou retirar as construções do local. O caso arrasta-se deste 2007, alegando o proprietário que esta comunidade estava a prejudicar o ‘Pinheiro das Areias’, árvore com mais de 200 anos.

Trata-se do pinheiro manso com maior perímetro de base medido em Portugal (perto de oito metros) que, sem outros pinheiros à sua volta, atingiu uma envergadura enorme, com um tronco que é, pelo que se conhece, único em Portugal, sendo uma das duas classificadas do concelho de Santarém.

Na segunda-feira, dia 22, uma família de etnia cigana deslocou-se à reunião de Câmara para pedir apoio do município para arrendar uma casa, uma vez que a situação de despejo é eminente.

O presidente da edilidade informou que os serviços de acção social da Câmara estão a trabalhar em articulação com a Segurança Social e o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). para arranjar soluções.

Segundo disse, a autarquia está disposta a apoiar as famílias que agora terão de abandonar aquele local durante seis meses, suportando 50 por cento do arrendamento de uma casa.

Por outro lado, e em parceria com o IEFP, está a ser desenhada uma formação remunerada, denominada “Vida activa/qualifica”, com a duração de meio ano, sendo que após esse período os formandos terão, por 12 meses, emprego garantido no município.

“Já enviamos cartas explicando estas medidas de apoio. Estamos a aguardar que nos respondam para que possamos analisar caso a caso”, afirmou Ricardo Gonçalves.

Recorde-se que caso já se arrasta há mais de uma década: em 2017, os proprietários avançaram para os Tribunais alegando, como motivo para a expulsão da comunidade cigana, que esta estava a prejudicar o pinheiro centenário classificado que existe na propriedade.

Por duas vezes o Tribunal de Santarém não deu como provado a existência de perigo para a árvore, apesar de entender que as pessoas ocupavam o espaço indevidamente. A terceira acção veio declarar os autores da acção como proprietários do terreno denominado Alto do Pinheiro, condenando os réus a reconhecerem este direito de propriedade.