ludgero 21-10 aCampo Pequeno, 13 de outubro de 2016, 22 horas. Corrida de Gala à Antiga Portuguesa – Encerramento de Temporada. Cavaleiros: António Telles, António Brito Paes, Marcos Bastinhas, Duarte Pinto, Miguel Moura e Parreirita Cigano (Praticante); Forcados Amadores de Lisboa e de Coruche; Ganadaria: Fernandes de Castro. Director de Corrida: Lourenço Luzio, assessorado pelo Médico-Veterinário Dr. Jorge Moreira da Silva.

O Campo Pequeno encheu (praticamente) para assistir à última corrida da temporada lisboeta, que, como vem sendo hábito, decorreu com toda a pompa e circunstância, e com homenagens à mistura. Justas, diga-se em abono da verdade. O cavaleiro e ganadeiro José Samuel Lúpi, que foi distinguido com o Troféu Prestígio-2016, é uma figura maior do nosso universo taurino, e o malogrado Quim-Zé Correia foi um dos mais auspiciosos cavaleiros da sua geração, tendo encontrado a morte quando lidava o toiro “Carvoeiro”, da ganadaria de Rio Frio, propriedade de José Samuel Lúpi, a 16 de Outubro de 1966, na praça do Campo Pequeno.

António Telles houve-se a preceito na lide do primeiro toiro da noite, desenvolvendo uma lide irrepreensível, tanto na preciosa movimentação da brega como na colocação da ferragem. António Brito Paes andou regular, exibindo um toureio de boa escola, superiormente montado, porém, o desenho das sortes nem sempre resultou da melhor maneira, pese embora que o seu oponente também tivesse saído complicado. Enalteça-se, contudo, as boas maneiras evidenciadas pelo jovem marialva, que nunca abdicou de tourear de frente e de acordo com a ortodoxia. Marcos Bastinhas começou muito bem, tanto a lidar como a colocar a ferragem comprida, em sortes frontais muito meritórias, no entanto, após mudar de montada, já não logrou manter o mesmo nível na colocação dos ferros curtos, especialmente na colocação dos pares de bandarilhas, que apenas conseguiu cravar à terceira tentativa.

Após o intervalo surgiram os mais jovens que deram boa conta do recado. Duarte Pinto enfrentou um toiro complicado, que não se adequava bem ao estilo do marialva de Paço d’Arcos, que aprecia citar de largo, dando a primazia de investida ao toiro, e apenas depois crava a ferragem. Claro, como o toiro não investia, as sortes perderam o luzimento desejado, com o toiro a distrairse e a não acudir aos cites, o que retirou algum brilho à função do cavaleiro. Miguel Moura andou em excelente plano, bregando com alegria, adequando as distâncias e o andamento das montadas, colocando vistosa e emotiva ferragem, especialmente os últimos curtos, em sortes frontais carregadas ao píton contrário. Muito Bem. E a fechar a corrida exibiu-se com muito agrado o “praticante” Parreirita Cigano que, cultivando um estilo muito pessoal, pisou os terrenos de maior compromisso e cravou os ferros mais emotivos, sem deixar de praticar um toureio respeitador dos cânones marialvas. Sem se intimidar com a responsabilidade do cartel e a importância da corrida, até por ser televisionada, mas igualmente sem se deslumbrar pela oportunidade que lhe foi oferecida. Esteve em plano superior.

No capítulo das pegas há a registar dois momentos especiais, dada a circunstância de nesta noite se despedirem das arenas dois valorosos forcados dos Amadores de Lisboa – Manuel Guerreiro e João Lucas, dois grandes forcados que deram muito de si à arte de pegar toiros e que contribuíram muitas vezes para o brilhantismo do Grupo que serviram com o maior orgulho e uma irrepreensível dedicação. Nesta noite de despedida demonstraram uma vez mais a raça que ainda têm. Parabéns! A restante pega do Grupo lisboeta foi bem consumada por João Varanda. Pelos Amadores de Coruche, cujo Cabo se estreou nestas funções no tauródromo da capital, foram solistas Paulo Oliveira, ao primeiro intento, António Tomás na sua única tentativa, em sorte ligeiramente sesgada, a dobrar João Peseiro, desfeiteado nas suas quatro tentativas, e José Marques, também à primeira tentativa.

Direcção atenta e correcta de Lourenço Luzio, assessorado pelo veterinário Dr. Moreira da Silva, e actuação correcta e regular das quadrilhas e dos campinos.

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