GFA Montemor - Lx 18-06-2015Francisco Borges, dos Amadores de Montemor

 

A noite de 3 de Setembro era aguardada com alguma expectativa pelos aficionados ao toureio equestre e pelos apreciadores dos forcados, pois, em função dos triunfos alcançados ao longo da temporada a Empresa do Campo Pequeno montou um cartel da máxima competição – João Moura Jr. e João Ribeiro Telles Jr., no que concerne ao toureio a cavalo, e os Grupos de Forcados Amadores de Santarém e os de Montemor, no capítulo das pegas, enfrentando toiros de António Charrua, Murteira Grave e Pinto Barreiros, a ganadaria mãe das ganadarias portuguesas. Em bom rigor, as expectativas não foram completamente defraudadas, porém o resultado final ficou aquém do que era esperado, até mesmo ao nível da entrada de público, que preencheu cerca de ¾ da lotação do tauródromo lisboeta.

João Moura Jr. alardeou imensas faculdades técnicas e artísticas, o que aliado à boa cuadra de que actualmente dispõe o coloca entre os potenciais triunfadores da temporada em curso. Andou diligente e acertado no desenvolvimento das suas lides, cravou certeira e emotiva ferragem, superou as dificuldades de alguns dos seus oponentes, mas, faltou-lhe a chama própria das noites de triunfo. Numa corrida com este ambiente e esta expectativa era necessário ir mais além do satisfatório, era mister que se pusesse todo o empenho e determinação para ultrapassar a barreira do “benzinho” e bordar o toureio, como já demonstrou que sabe e pode fazer. Nota positiva, mas longe da excelência, pois alguns toques nas montadas e o recurso às sortes de violino e aos palmitos ou a alguns adornos de mínimo risco deslustraram uma actuação supostamente mais profunda e exigente.

João Telles Jr. é um toureiro cheio de raça, que não se deixa soçobrar ante quaisquer dificuldades, pelo que este desafio o terá empolgado. Como saiu a lidar sempre depois de Moura, devido à antiguidade de alternativa, Telles reagiu sempre ao labor expendido pelo marialva de Monforte, o que poderia aparentar maior empenho e mais querer, mas neste aspecto – como em todos os outros, de resto – ambos se equipararam. Bonitas e desenvoltas bregas, cuidado na preparação das sortes e colocação da ferragem em sortes emotivas, embora uma ou outra vez deslocado do centro da sorte, pois nem sempre as batidas ao piton contrário saíram a tempo, o que provocou um natural alívio nas reuniões, e toques na montada em demasia, para além do mesmo recurso aos adornos de encher o olho, mas de pouca valia técnica. Tal como o seu alternante, João Telles Jr. teve nota positiva, mas longe do seu melhor.

Em síntese poder-se-á dizer que ambos estiveram bem, agradaram ao conclave, mas podem e sabem fazer muito mais e, sobretudo, muito melhor. O que os aficionados mais exigentes bem agradecem!

Ao nível da forcadagem – outra aguardada competição – houve boas pegas consumadas por qualquer um dos Grupos, mas não houve nenhuma pega do outro mundo, como qualquer destes Grupos já ali rubricou nesta temporada. Pelos Amadores de Santarém foram solistas Luís Sepúlveda, que consumou vistosa sorte ao segundo intento, Lourenço Ribeiro que consumou rija pega no seu único intento, e a fechar a noite escalabitana João Brito fechou-se também com galhardia concretizando bonita pega à segunda tentativa. Pelos Amadores de Montemor Francisco Borges consumou uma rija pega à primeira tentativa, João da Câmara efectuou boa pega ao segundo intento, e a última pega da noite foi concretizada galhardamente por Frederico Caldeira.

Pedro Reinhardt dirigiu com acerto e os bandarilheiros e os campinos cumpriram bem a sua missão, aplaudidos por um caloroso público que preenchia cerca de ¾ da lotação do tauródromo alfacinha.

*Texto publicado em edição impressa de 18 Setembro

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