Para assinalar o Dia Europeu do Enoturismo, a Câmara Municipal do Cartaxo lançou o desafio a dois enólogos e a uma chef de cozinha para criarem, no dia 12 de Novembro, um almoço de harmonização que trouxesse para a mesa do Museu Rural e do Vinho, os sabores e os aromas do Tejo. Maria Vicente, enóloga da Casa 1927 e Pedro Gil, enólogo da Adega Cooperativa do Cartaxo, aceitaram o convite e trouxeram os vinhos que conhecem como ninguém, para acompanhar as criações que a chef Madalena Dias, da Cook2Wine, pensou e executou.

A enóloga Maria Vicente recebeu os participantes com o Independente

A Adega do Museu Rural e do Vinho foi o primeiro espaço a acolher os cinquenta participantes no almoço. Recebidos pela enóloga e CEO da Casa 1927, Maria Vicente, para um momento inicial “que pensámos como um primeiro encontro entre todos”, conforme a enóloga explicou – “um momento de partilha, de conversa à volta do vinho, que permita a cada um tirar o máximo partido da prova e das harmonizações que vamos poder experienciar ao longo do almoço, mas também levar consigo conhecimentos que lhe permitam passar a ter ainda mais prazer na descoberta da complexidade dos vinhos”.

Da importância da escolha do copo adequado à prova de cada vinho, “para desfrutar de toda a palete aromática”, passando pela forma de observar as diferentes características de cor e limpidez, até aos cuidados a ter por quem quer manter uma garrafeira em casa, foram muitos os conhecimentos partilhados. A enóloga desafiou ainda os participantes para um exercício – descobrir alguns dos sabores elementares que “devem estar presentes nos vinhos de modo equilibrado” –, pequenos copos continham líquidos onde o amargo, o salgado ou o doce estavam em destaque, aos participantes coube encontrar “sem ajudas” cada um dos sabores.

A encerrar a “introdução teórica”, esteve a primeira harmonização do almoço. À Adega chegaram pequenos barcos miniatura com uma carga de sabores, o Ceviche do Tejo preparado na cozinha ali ao lado pela chef Madalena Dias em Conchas Crocantes que foram parceiras do Independente, espumante da Casa 1927, o bruto e o doce, escolhidos por Maria Vicente para abrir o almoço em ambiente de festa.

Chef Madalena Dias levou à mesa o rio, a lezíria e o bairro para três vinhos únicos da Adega Cooperativa do Cartaxo

No espaço do centro de Promoção Vitivinícola do Museu, já estava a mesa posta – toalhas brancas e copos alinhados à luz da manhã ensolarada de Novembro, receberam os comensais que começaram a ocupar os seus lugares. Os primeiros copos a serem servidos, acolheram o Bridão Clássico Branco de 2016, da Adega Cooperativa do Cartaxo, enquanto da cozinha da chef Madalena Dias saiam as primeiras tigelas fumegantes – era a Sopa de Abóbora no Forno com Espuma de Chouriço que entrava na sala.

Pedro Gil, enólogo que assina todos os vinhos que foram servidos à mesa, explicou as características dos néctares que seleccionou, lembrando como a harmonização entre o vinho e os pratos servidos pode elevar o prazer que cada pessoa tem numa refeição e como as características próprias de cada um dos produtos pode contribuir para o equilíbrio ou para a criação de contrastes únicos – “vinhos e iguarias ganham pela aliança que estabelecem”.

A dar razão ao enólogo, esteve a aliança criada entre o Bridão Trincadeira de 2015, com os Lombos de Fataça de Escabeche na Telha – “uma das harmonizações mais desafiantes que vamos ter hoje à mesa”, assegurou. Já para harmonizar com o Rabo de Boi com Puré de Ervilha e Crocante de Hortelã, que a chef Madalena Dias escolheu como prato de carne, esteve o Desalmado de 2012, vinho tinto de “edição limitada”, que a Adega Cooperativa apresentou publicamente em Março deste ano e está entre os melhores dos seus vinhos de excelência.

Para encerrar a refeição, Madalena Dias escolheu uma sobremesa que foi buscar às tradições gastronómicas nacional e ribatejana, transformando-as e criando um prato novo – Sorvete de Pera Bêbada e Arrepiado –, sobremesa que contou nos copos com o Colheita Tardia de 2016, também da Adega Cooperativa do Cartaxo.