CelestinoCelestino Graça, cuja obra, pela sua relevância e grandeza, ainda hoje é referencial em toda a região ribatejana, faleceu, aos 61 anos de idade, no dia 24 de Outubro de 1975. Cumprem-se agora quarenta e cinco anos… Nascido a 9 de Janeiro de 1914, na aldeia do Graínho, no concelho de Santarém, Celestino Graça concluiu o curso de Regente Agrícola com apenas dezoito anos de idade, dando, assim, início a uma actividade relacionada com o mundo rural, que, de facto, constituía o seu grande universo.

Técnico agrícola da maior probidade, tendo sido responsável pela introdução da cultura do cânhamo em Portugal, sobre o que escreveu um importante livro de carácter científico, Celestino Graça desde muito cedo se deixou envolver pelo associativismo, sendo um dos impulsionadores da fundação da “briosa” Associação Académica de Santarém, de que, igualmente, foi atleta. Colaborou na imprensa escrita e na rádio, onde mantinha um programa de esclarecimento técnico fielmente escutado pelos agricultores da região, e intervinha activamente na discussão dos temas que tinham Santarém e o Ribatejo como fulcro.

Em 1954 integrou a Comissão da Feira do Ribatejo, como Secretário-geral, passando a assumir a maior proeminência na projecção deste evento regional, que, apenas, dez anos volvidos viu reconhecida a sua importância com a elevação oficial a Feira Nacional de Agricultura. O impacto da projecção nacional e internacional da Feira na agricultura regional foi incomensurável e Santarém, que antes atravessava uma fase de grande letargia, conheceu um período de intensa actividade comercial e agrícola. À visão de Celestino Graça se ficou a dever a internacionalização da Feira, com a edificação de pavilhões dos países mais significativos no relacionamento económico, como eram os casos de Brasil, Espanha, França, Itália, Alemanha, Grã-Bretanha, Dinamarca e Holanda, para além de outros que asseguravam a sua participação através de representações empresariais.

No âmbito da Feira do Ribatejo, que incluía um vasto e apreciado programa de animação cultural e artística, Celestino Graça viria a fundar o Festival Internacional de Folclore de Santarém, que proporcionou a maior visibilidade do folclore ribatejano no estrangeiro e a descoberta do folclore estrangeiro no palco de Santarém. Trabalho de um alcance notável, de que ainda nos nossos dias Santarém aproveita, mau grado que a partir de 1994 o Festival tenha deixado de integrar a programação da Feira do Ribatejo que o viu nascer, por deliberação expressa e unilateral dos seus promotores. Do mesmo modo, Celestino Graça teve uma imensa influência na constituição de grupos e ranchos de folclore em toda a região, tendo o próprio dado satisfação à sua paixão pela cultura tradicional e popular, fundando diversos agrupamentos, com os quais passou a representar o folclore ribatejano em todo o país e também no estrangeiro, nomeadamente, os Grupos Infantil e Académico de Santarém, que dirigiu até à hora da sua morte.

Aficionado conhecedor e apaixonado, Celestino Graça viria a ter uma acção determinante na construção da nova Praça de Toiros de Santarém, inaugurada em 7 de Junho de 1964, tendo assumido, igualmente, a responsabilidade de organizar as corridas de toiros a partir da temporada de 1970, proporcionando avultadas receitas a favor da Misericórdia de Santarém. Com esta inolvidável acção Celestino Graça catapultou o tauródromo escalabitano a uma posição cimeira no apreço dos agentes da Festa e dos Aficionados, corporizando o lema da Praça das Revelações e das Consagrações.

A sua morte causou a maior consternação a nível regional, permanecendo vivo na memória dos seus admiradores, tão vasta e qualificada foi a obra que legou à posteridade. No próximo sábado, dia 24 de Outubro, cumprem-se exactamente quarenta anos sobre a data de tão infausto acontecimento, pelo que um Grupo de Amigos e de Admiradores de Celestino Graça, a que se juntam os Componentes e Directores dos Grupos Infantil e Académico de Santarém, leva a efeito uma Romagem de Saudade à sua campa no Cemitério dos Capuchos, na nossa cidade, às 15 horas. Agradece-se antecipadamente a todos quantos queiram juntar-se a este preito de homenagem e de evocação da sua saudosa memória.

*Texto publicado em edição impressa de 16 Outubro