O ciclo “Nova-Velha Dança”, a decorrer em Santarém até junho, apresenta hoje à noite, no Teatro Sá da Bandeira, “Letting Nature Take Over Us Again” e “O que fica do que passa”, dos coreógrafos Teresa Silva e Filipe Pereira.

Os dois coreógrafos da geração de 2010 são os convidados de abril de um ciclo que levou já a Santarém espetáculos de Vera Mantero (em fevereiro) e de João Fiadeiro (em março) e que tem patente no Teatro Sá da Bandeira, até 17 de junho, a instalação “Para uma Timeline a Haver — Genealogias da dança enquanto prática artística em Portugal” e a exposição “A Dança do Existir”, retrospetiva em imagens do trabalho coreográfico de Vera Mantero.

Organizado pela associação Parasita, o projeto “Nova-Velha Dança” é composto por espetáculos, exposições, conversas e oficinas que decorrem até junho em diversos espaços da cidade de Santarém, num convite a visitar “diversos contextos estéticos e sociais da produção coreográfica do Portugal democrático”, afirma uma nota de divulgação do evento.

Durante quatro meses são apresentados na cidade “trabalhos referenciais da chamada Nova Dança Portuguesa”, surgida na segunda metade do século XX e incentivada a produção atual com a apresentação de peças de coreógrafos cujo trabalho se tem afirmado na última década em circuitos independentes, afirma a nota da associação Parasita, criada em Santarém em 2014 por João dos Santos Martins.

Teresa Silva e Filipe Pereira são dois destes coreógrafos, “cujo trabalho se caracteriza pelo interesse em processos colaborativos, traduzido em diversas cocriações com outros artistas e com coletivos informais”, afirma a Parasita.

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Os dois encontraram-se na Escola Superior de Dança e no Fórum Dança, onde se cruzaram com Vera Mantero e João Fiadeiro, sendo “O que fica do que passa” o seu primeiro trabalho a dois, estreado em 2013.

“Funciona através de um corpo de luz que se materializa; através de uma dança feita de impressões momentâneas; através de materiais que se dão a ver como seres orgânicos ou fenómenos naturais; através de uma boca que se abre lentamente e que reconfigura a cada segundo a expressão de um rosto. A aventura aqui é darmo-nos a possibilidade de ter, por momentos, um olho que sente”, afirma a sinopse do espetáculo.

Antes, Teresa Silva e Filipe Pereira apresentam “Letting Nature Take Over Us Again”, um projeto concebido também em 2013 para o evento bairro-mente, “resultado de um certo fascínio pelo cenográfico, e onde materiais, corpo, luz e som criam uma coreografia visual que rejeita a linearidade narrativa ao mesmo tempo que produz uma qualquer ação sensorial”.

As próximas apresentações do ciclo acontecerão a 20 de maio, com “Reacting To Time, portugueses na performance”, de Vânia Rovisco e Verónica Metello, “notforgetnotforgive”, de Carlota Lagido, “Moustachu”, de Sónia Baptista, e “Dança Concreta”, de Daniel Pizamiglio.

A fechar o ciclo, a 16 e 17 de junho, Ana Rita Teodoro estreia “Palco e Pavilhão”, no âmbito da sua coleção “Delirar a Anatomia”, e fará a reposição de “Oriffice Paradis” e “Sonho d’Intestino”, enquanto Carlos Manuel de Oliveira estreia a sua peça “do desconcerto, por um lado / da aventura, por outro”, terminando o ciclo com o lançamento do novo disco e concerto do pianista Simão Costa “Beat Without Byte”.