O Centro de Investigação Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão (CIJVS) realiza no dia 9 de Março, na sua sede, pelas 18:30, a LXXXVIII Assembleia de Investigadores com uma comunicação proferida pelo Doutor Luís Manuel Soares dos Reis Torgal, com o tema: “A I República e António José de Almeida no 150.º Aniversário do seu Nascimento”.

“O estudo do processo republicano nos últimos anos da Monarquia Constitucional foi um tema que interessou alguns investigadores, que abordaram a I República, pelo que o conferencista não tem como objectivo central abordá-lo. Pretende sim, especialmente, falar do papel de António José de Almeida (cujos 150 anos do seu nascimento se celebraram em 17 de Julho de 2016) no meio institucional cartista (por exemplo, como deputado republicano da sua Câmara de Deputados) e nas convulsões, nas tentativas e nos actos revolucionários que precederam a sua proclamação (a revolta contra o Ultimatum Inglês de 11 de Janeiro de 1890, a revolução falhada do Porto de 31 de Janeiro de 1891 e a vitoriosa revolução de 4-5 de Outubro de 1910).

Numa análise da obra de António José de Almeida, falará da acção do Governo Provisório presidido por Teófilo Braga, de que era titular do Ministério do Interior do Interior (o mais importante ministério, que sucedeu ao Ministério do Reino). Ver-se-á como eram os projectos principais da I República, muitos dos quais não tiveram grande sequência.

Abordar-se-á a questão partidária, que levou à divisão do Partido Republicano Português em três partidos, de que um deles, o Partido Republicano Evolucionista, foi liderado por António José de Almeida, primeiro director e fundador do jornal República. A sua acção parlamentar foi significativa em vários aspectos, entre eles a entrada de Portugal na I Grande Guerra e a tentativa de renovação das nossas forças armadas. E António José de Almeida veio a ser o presidente do ministério da “União Sagrada”, tentativa falhada de pacificação da República no contexto da guerra. Mas não aceitou a revolução dezembrista de Sidónio Pais, ocorrida quando era já presidente do ministério Afonso Costa. A “República Nova”, de tipo presidencialista, durou apenas um ano, de Dezembro de 1917 a Dezembro de 1918.

Com o regresso da “República Velha” ascende António José de Almeida à Presidência da República (1919-1923) e procurará, no meio das convulsões constantes (nomeadamente em Outubro de 1821), erguer a ideia de nacional republicana, com a inauguração dos primeiros Monumentos aos Mortos da Grande Guerra, a viagem aérea de Gago Coutinho e Sacadura Cabral ao Brasil e a sua própria viagem ao país irmão por altura da celebração do Centenário da Independência (Setembro de 1922).

Depois da sua Presidência, António José de Almeida assistirá, doente, ao fim da I República, com as revoltas militares que culminarão na depois chamada “Revolução Nacional” de 28 de Maio de 1926.

Médico (com uma estadia de cerca de seis anos em S. Tomé), republicano de sempre e um dos seus mais conhecidos oradores, António José de Almeida encontra-se entre o campo e a cidade, afirma-se entre a veia revolucionária e um conservadorismo tolerante. A sua morte, em 31 de Outubro de 1929 — que teve a acompanhá-la, horas depois, o falecimento de José Relvas —, originava uma onda de simpatia dificilmente atingida. O seu funeral, “absolutamente civil”, será, oficial e consensualmente, considerado o funeral de um “Presidente”, de “o Presidente”. Originará, por isso, uma memória contraditória — de respeito consensual e de espírito revolucionário contra ao Estado Novo”.

Horário: 18h30

Local: Centro de Investigação Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão