Entra dezembro e invariavelmente os períodos em que não estamos a desempenhar as tarefas profissionais repartem-se entre a azáfama da quadra e o tempo dos balanços. À medida que os anos se vão vencendo são estas, cada vez mais, as prioridades que nos povoam os dias. Porque é preciso programar a noite da Consoada e o dia de Natal e todos os preparativos que os antecedem; porque não prescindimos da companhia da família e dos amigos; mas também porque vamos reconhecendo ciclos que já vimos afirmados pelos nossos pais, quando ainda não éramos a geração com mais idade nas nossas famílias.

Pequenas grandes coisas que nos vão acarinhando os pensamentos com presentes e ausentes, que também dão sentido à vida e que tornam tão especial o mês de dezembro. Mas este é um tempo em que tudo suscita avaliação. Até o espaço onde nos movemos. As pessoas, o material, o imaterial. Não sei se também vos acontece mas dou frequentemente por mim a observar pormenores do quotidiano; a relacioná-los com a realidade e com o meio em que se inserem; a imaginar como seria a comunidade se não existissem pessoas e dinâmicas que contrariassem inercias, apatias e anomias.

Na segunda metade do ano que está prestes a terminar, a Catedral e Museu Diocesano de Santarém receberam o Prémio ‘Europa Nostra 2016’, atribuído pela União Europeia (UE) pelo seu projeto de reabilitação implementado pelo projeto Rota das Catedrais, parceria celebrada entre o Ministério da Cultura e a Conferência Episcopal Portuguesa, em 2009. Mais do que destacar a intervenção na fachada e no interior da Catedral de Santarém e a consolidação do projeto do Museu Diocesano de Santarém (que tal, se ainda o não visitaram, aproveitarem alguns momentos menos atarefados nesta quadra para fazer uma visita ao Museu!?) importa, na minha opinião, salientar o papel determinante do líder de todo este processo, o padre Joaquim Ganhão, ao criar toda uma dinâmica que permitiu à Diocese de Santarém intervir em algum do seu património disseminado pelas freguesias e ainda fazer a recolha, o manuseamento e a inventariação dos assentos que se perdiam na humidade e na memória do tempo das paróquias. Porque me despertam um interesse extraordinário estas matérias, fui acompanhando o projeto desde a sua fase mais embrionária até à sua conclusão e posteriores seguimentos. Um dos aspetos que mais me impressionaram durante estes anos foi a capacidade de atribuir tarefas importantes, como o manuseamento de documentos antigos, a pessoas sem qualquer tipo de formação, por vezes nem formal, e a importância desse gesto para a valorização pessoal de quem nunca se sentiu acarinhado por ninguém. Notável e por vezes comovente no trato com estes voluntários obreiros.

É um privilégio ter o padre Ganhão em Santarém. Homem do mundo que veio trazer mundo para Santarém. Humanista de formação muito sólida e valores imaculados; centrado na valorização da pessoa humana a partir da qual tudo nasce, tudo se desenvolve e tudo faz sentido. Acharão provavelmente excessivas estas minhas referências, mas injusto seria não dar a este Homem o merecido destaque, nem à Diocese de Santarém o mérito de ter delegado a tarefa certa no homem certo, condição fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento.

Os resultados estão à vista. Neste tempo esperança e de reconciliação com cada um de nós, deixo-vos com a minha alegria e com os meus votos de Feliz Natal.

 

Idália Serrão

Deputada do PS eleita por Santarém