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A Comissão Municipal de Defesa da Floresta de Mação (CMDFM) autorizou ontem a autarquia a pedir à Inspecção Geral de Administração Interna (IGAI) esclarecimentos “sobre as operações de combate” e “algumas das decisões tomadas” no incêndio de Mação.

“O pedido de averiguação e inspecção foi aprovado, mas fica suspenso até um eventual relatório que esteja a ser feito sobre o incêndio e que o executivo camarário já solicitou, esperando que seja disponibilizado brevemente”, disse o presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela, acrescentando que o comandante dos bombeiros de Mação “já pediu a fita do tempo”, para uma “análise pormenorizada do que se passou em termos de decisões entre os dias 23 e 27 de Julho”, quando arderam cerca de 18 mil hectares de floresta naquele município do distrito de Santarém.

O autarca adiantou que “prosseguir com o pedido dependerá do conteúdo da exposição e do entendimento municipal sobre a análise da situação”, notando que, da parte da CMDFM, a autarquia teve hoje “aprovação para avançar com o pedido de averiguação e inspecção relativamente às decisões que foram tomadas naqueles quatro dias de Julho”, para o apuramento de responsabilidade pelas decisões tomadas.

“Vamos aguardar pelo relatório. Estamos a ser consequentes com o que sempre dissemos. Que iríamos apurar até ao fim as responsabilidades de todos, também da Câmara e dos intervenientes no terreno, no sentido de serem confrontados com as suas decisões”, frisou.

A Comissão Municipal de Defesa da Floresta reuniu em Mação com o objectivo da “reflexão e compreensão do que correu bem e mal” no recente incêndio no concelho, que consumiu mais de 18 mil hectares de área florestal e que, segundo o último levantamento da autarquia, aponta ainda para 14 casas de primeira habitação destruídas pelas chamas, total ou parcialmente, 50 aldeias tocadas pelo fogo e mais de 30 evacuadas, e 10 pessoas feridas, para além de barracões, palheiros, material agrícola e viaturas.

“Não foi uma reunião fácil, porque as pessoas estão revoltadas e muito sensíveis a este assunto, até pelas dificuldades que estão a passar neste momento”, disse Vasco Estrela, relativamente a uma reunião que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho e onde estiveram presentes, entre outros, os presidentes das juntas de freguesia de Envendos [nove mil hectares ardidos], Cardigos [cinco mil hectares ardidos] e Carvoeiro [ardeu toda a freguesia].

O autarca reconheceu que “é normal esta revolta” e que “falta fazer o luto da tragédia”, sendo “normal que as pessoas manifestem um sentimento de revolta por aquilo que foram assistindo”, mas vincou que “globalmente há uma compreensão de que todos no terreno deram o seu melhor”, afirmou.

Entre as várias medidas tomadas ao longo da última década pela autarquia, que serviram de referência no panorama florestal nacional, “as motobombas voltaram a revelar-se extraordinariamente úteis”, observou.

“Foram utilizadas em muitas aldeias e ajudaram a evitar desgraças maiores, está comprovado por testemunhos prestados durante a reunião de trabalho”, disse Vasco Estrela, numa sessão no salão nobre da autarquia com o objectivo de “ouvir as diversas explicações a ser dadas, a versão da Câmara Municipal sobre o processo e também dos bombeiros e de outras entidades” que compõem a Comissão Municipal de Defesa da Floresta.

A Comissão contou com a presença dos presidentes de todas as freguesias do concelho, com excepção da de Amêndoa, do comandante dos bombeiros voluntários de Mação, do comandante operacional distrital de Santarém, Mário Silvestre, de representantes dos produtores florestais (AFLOMAÇÃO), do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e Florestas) e de militares da Guarda Nacional Republicana (GNR).

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