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Seis novos confrades foram entronizados no XIV Capítulo da Confraria da Gastronomia do Ribatejo (CGR) que decorreu este sábado, na Sala de Actos do Seminário, em Santarém.

Miguel Marques, Tânia Bastos, Maria de Lurdes Farinha, Dinis das Neves, Luísa Simões e Hugo Marques foram entronizados durante a jornada de confraternização entre os confrades da CGR e as confrarias convidadas a nível nacional.

O Capítulo entronizou ainda como Confrades de Honra Elizete Oliveira, Luís Farinha, Paulo Abreu e Carlos Dantas e como Confrades de Mérito a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, a Comissão Vitivinícola Regional do Tejo, a Adega do Cartaxo, a Adega de Alcanhões e a ‘Pastelaria Bijou’.

Na sala de Actos do Seminário a investigadora Teresa Lopes Moreira proferiu uma conferência na qual deu conta da tradição de “merendar nas Ómnias” em Dia de S. José, uma romaria “inserida na sagração da Primavera que promovia os campos em flor assim como a sua fertilidade”, afirmou.

“Na segunda metade do século XIX, quer o operariado quer a burguesia promoviam essa ligação à natureza. A burguesia esquecendo ou pretendendo esquecer a sua origem popular preferia merendar em espaços arredados da grande concentração de massas reunindo-se em quintas de familiares ou amigos, situadas no Jardim de Cima, S. Pedro, Saúde, Portela ou organizando piqueniques nestes locais ou mesmo na Tapada”, referiu a investigadora.

Já na Quinta da Saúde, os piqueniques, assegura, “decorriam na horta do cónego Cordeiro”.

Segundo Teresa Lopes Moreira, “para os mais desfavorecidos, o dia de S. José era “consagrado à folia da classe operária” que se reunia na quinta das Ómnias, inicialmente pertença do padre João Rodrigues Ribeiro, onde “se o dia fosse maior, maior seria a romaria””.

A historiadora lembrou o hábito de se consumir sável assado, frito ou de caldeirada, “rei da merenda, mesmo quando o seu preço era proibitivo, como sucedeu em 1917”.

Entre os pratos de carne, destacava-se a “galinha corada de um louro tostado e forjada de manteiga”. A estes manjares juntavam-se o pão, o queijo, as azeitonas, variados peixes fritos, bolinhos e as laranjas colhidas nos pomares. À entrada das hortas instalavam-se as quitandas de bolos e de peixe frito onde se aglomeravam aqueles que não transportavam merenda como os soldados, historiou. Os petiscos eram regados por limonadas e muito vinho.

Segundo Teresa Lopes, a Banda dos Bombeiros deslocava-se à romaria sempre seguida da população através da calçada da Junqueira. Quando chegava às Ómnias, a Banda, antes do seu tradicional jantar, actuava na eira onde se improvisavam bailaricos. Acabados os festejos, os elementos da Banda regressavam pela referida calçada e davam uma volta à cidade a tocar pelos cafés e tabernas, a fim de angariar fundos para a colectividade, lembrou.

Em 1917, perante a fraca participação na romagem, temeu-se que a tradição gastronómica se perdesse. A laicização decorrente na I República não teve força suficiente para acabar com esta festividade anual. Com o Estado Novo, a alteração do feriado municipal para 15 de Março incentivou o convívio nas Ómnias. O culto religioso ao Santo passou a ter um papel importante a par com os farnéis, os jogos tradicionais e os bailaricos, concluiu a investigadora.

No decorrer do Capítulo, usaram da palavra o presidente da CGR, José Marques; Isabel Sousa (Confraria Fogaça da Feira) em representação da Federação Portuguesa das Confrarias de Gastronomia e o presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves, que voltou a lembrar a intenção de Santarém receber um Observatório da Gastronomia.

Na cerimónia foi guardado um minuto de silêncio em memória de Carlos Abreu, fundador e Grão-Mestre da CGR e do Festival Nacional de Gastronomia de Santarém.

Depois da ‘foto de família’ na escadaria do Seminário, as confrarias presentes (mais de 20) desfilaram até ao Convento de S. Francisco, seguindo-se o almoço e entrega de lembranças, na Casa do Campino, em plenas Festas de S. José. JPN

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