Em Abril de 1958, a Câmara Municipal de Santarém, presidida por Jacob Pinto Correia (1900-1974), concedeu a medalha de ouro de bons serviços ao Correio do Ribatejo pelos seus sessenta e sete anos de vida em que “prestou relevantes serviços, sempre pugnando pelos legítimos interesses e pelo progresso da cidade, do concelho e da região” (CR, 12/4/1958, pp. 1).

medalha de ouro

O governador civil Bernardo Mesquitela a entregar a medalha de ouro a Virgílio Arruda nos Paços do Concelho, 8 de Abril de 1967. Fotografia Grandela Aires, Arquivo Correio do Ribatejo

Durante a comemoração das bodas de diamante, em 1966, a Câmara Municipal de Santarém distinguiu novamente o Jornal com a medalha de ouro da cidade, por proposta do vereador Joaquim Caetano Frazão (1893-1975) que foi acolhida por unanimidade. No entanto, a condecoração só foi entregue a 8 de Abril de 1967, a Virgílio Arruda (1905-1989), precisamente há 50 anos.

As festividades de 1967 iniciaram-se às dezassete horas com uma missa de acção de graças por intenção dos colaboradores, na Capela da Piedade, celebrada pelo reverendo José Bernardo Gonçalves. O padre António Simões tocou órgão durante a homília.

Uma hora e meia mais tarde, decorreu nos Paços do Concelho uma sessão pública presidida pelo governador civil Bernardo Mesquitela ladeado pelo deputado da Nação e presidente da Junta Distrital, Carlos Monteiro do Amaral Netto (1908-1995), pelo presidente da Câmara, Luís Noronha Demony (1928-), pelo comandante do Presídio Militar, coronel Tasso de Figueiredo e pelo segundo comandante da Escola Prática de Cavalaria, coronel Leão Correia. Na assistência encontravam-se diversas individualidades, destacando-se o bispo residencial, D. António Campos, o deputado Artur Proença Duarte (1894 1969), o provedor da Misericórdia de Lisboa, António Lino Netto (1913-), o vice-presidente da Câmara, Manuel Themudo Baptista, os vereadores Joaquim Caetano Frazão, José Maria Gonçalves, Joaquim Custódio da Silva (1906-1973), Joaquim Maria da Silva e Francisco da Conceição Domingues, Edmundo Vaz Mourão (1924-2007), Alfredo da Silva Leitão (1895-1969), Alfredo César Henriques e António de Passos Canavarro (1904-1977).

Luís Noronha Demony abriu a sessão com um discurso de boas vindas e “expressões de apreço e de simpatia” quer para o Correio do Ribatejo quer para o seu director Virgílio Arruda. Este último, a convite da edilidade, proferiu uma conferência integrada na “Semana do Ultramar” e intitulada “Os de Portugal e de Santarém no Mundo”, onde aludiu e homenageou os combatentes em África e referiu a presença de escalabitanos no mundo no passado e no presente como Joaquim Veríssimo Serrão (1925-), Francisco Rebelo Gonçalves (1907-1982) e Pedro Canavarro (1937-) que se encontravam em França, no Brasil e no Japão respectivamente.

No final da conferência foi atribuída a medalha de ouro da cidade ao Jornal. Virgílio Arruda agradeceu a distinção que lhe foi entregue pelo Governador Civil referindo que “tinha o Correio do Ribatejo por seu irmão mais velho, cujos conselhos nunca havia deixado de seguir, guiando seus passos na vida do espírito e a cuja orientação não mais deixara de obedecer pela vida fora, ao longo daquele meio século com que Deus o favorecera, de obediência aos seus imperativos salutares.”(CR, 15/4/1967, p. 12).

Também louvou as figuras do fundador, João Arruda (1868- 1934) e de alguns dos colaboradores como Laurentino Veríssimo (1855-1936), Júlio de Sousa, José Osório (1868-1931), Alberto Cardoso dos Santos (1876-1964), José Barata (1894-1957), Nuno Beja (1890- 1966), Bastos Guerra, Henrique Vigário (1897-1954) “e tantos outros que permaneciam vivos na nossa saudade” (Idem).

Para além de homenagear o núcleo de actuais colaboradores relembrou que “entre aqueles que escrevem o jornal e aqueles que o lêem, estão os seus realizadores gráficos, os que compõem e imprimem este vosso jornal, aturada e diligente missão, os quais não podem deixar de ter quinhão grande no oiro da medalha” (Idem).

A noite de 8 de Abril terminou com o “tradicional jantar de confraternização do quadro tipográfico e pessoal da nossa administração, a que se dignam assistir entidades oficiais e pessoas de representação desta cidade e alguns dos nossos amigos e colaboradores” (CR, 8/4/1967, p.1). O jantar servido para quarenta e duas pessoas decorreu no restaurante da Camionagem Ribatejana, de Manuel Vieira Marques e foi presidido pelo Governador Civil e pelo presidente da Câmara. A ementa contou com sopa de peixe à Fernão Vaz, pescada à Leonor Teles, batata torneada, ervilhas novas, ameijoas, escalopes à Condestável, cogumelos, espinafres, fiambres, doces que podiam ser das Claristas, ananases dos Descobrimentos, bolo inspirado por S. Frei Gil e café de S. Tomé” (Ementa). O serviço dos jantares orçou no valor de 2 373$00, sendo o bolo de aniversário avaliado em 448$00 e as bebidas digestivas em 175$50, totalizando 2 996$50.

RECIBO

Recibo número 132 referente ao jantar comemorativo do 76.º aniversário do Correio do Ribatejo no restaurante da Camionagem Ribatejana, 10 de Abril de 1967. Arquivo Correio do Ribatejo

Joaquim Ferreira Campos leu numerosos telegramas e outras menções antes dos discursos de Alfredo da Silva Leitão, Celestino Graça (1914-1975), Joaquim Ferreira Campos, Joaquim Caetano Frazão e Luís Noronha Demony. O tipógrafo Carlos Jorge Mendes leu o discurso de autoria de Antonino Pires da Silva (1892- 1973) representando todo o operariado da tipografia. No seu discurso, o delegado do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, Ilídio Fernandes das Neves salientou a atribuição da medalha de Mérito do Trabalho, entregue pelo presidente da República, Américo Tomás, a Antonino Pires da Silva por prestar serviço no jornal há mais de sessenta anos. Este delegado também propôs ao ministro das Corporações, Antunes Varela que concedesse o mesmo galardão a Manuel da Silva Cordeiro (1911-1981) que prestava serviço na empresa há quarenta e dois anos.

Virgílio Arruda agradeceu os discursos de felicitação e relembrou todos os que acompanharam João Arruda na construção do Jornal. O director apresentou ao delegado do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência tipógrafos como Tomás Escolástico, que trabalhava há trinta e oito anos na firma, Carlos Mendes e Mário Lopes (1930-2007), que tinham vinte e cinco anos de serviço e Luís Pires (1930-1999) e Manuel Canelas (1934-), tipógrafos do Correio há mais de vinte anos. Por fim recordou três amigos do Jornal que não estiveram presentes no jantar, Joaquim Veríssimo Serrão ausente em França em missão oficial do Instituto de Alta Cultura, Zeferino Sarmento (1893-1968) e Francisco Câncio (1905-1973), ambos doentes.

Aos brindes discursou o governador civil, Bernardo Mesquitela que saudou o Município pela iniciativa e desejou votos de prosperidade ao Jornal e a todos os que nele trabalhavam.

A homenagem ao Correio do Ribatejo foi referida nos jornais O Século, Diário de Notícias, Diário da Manhã, A Voz, Novidades, Diário Popular, Diário de Lisboa, Diário de Coimbra, O Comércio do Porto, Primeiro de Janeiro, Diário do Norte, Jornal de Notícias e Diário do Alentejo. O jornal Notícias do Ribatejo, dirigido por Francisco Nunes Melro, fez um “relato de considerações ditadas por um honroso espírito de camaradagem” (CR, 15/4/1967, p. 2) sobre a entrega da medalha de ouro ao Correio do Ribatejo e da conferência de Virgílio Arruda.

O Correio do Ribatejo dedicou duas edições ao aniversário, as de 8 e 15 de Abril. A primeira foi impressa com a capa e contra capa de cor azul, quanto à segunda foi ilustrada por fotografias da cerimónia nos paços do concelho e do jantar de autoria de Grandela Aires e Manuel de Jesus respectivamente. A impressão das seis fotogravuras foi feita nas oficinas gráficas da Bertrand e Irmãos, Lda, no Dafundo e orçou no valor de 280$80 acrescido de 5$20 para portes, perfazendo o total de 286$00.

virgilio e tipografos

Virgílio Arruda ladeado pelos tipógrafos do Correio do Ribatejo após receber a medalha de ouro, nos Paços do Concelho, 8 de Abril de 1967. Fotografia Grandela Aires, Arquivo Correio do Ribatejo

Teresa Lopes Moreira

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