É um privilégio escrever esta coluna na manhã que antecede “o dia inicial inteiro e limpo” de Sophia, cumprido em 2017 com a esperança renovada num país que acredita nos seus cidadãos e que gradualmente lhes vai devolvendo a estabilidade.

Passámos por anos muito duros de um Governo que afirmava ser necessário empobrecer os portugueses porque viviam acima das suas possibilidades.

E com este princípio vimos aumentar a pobreza, crescer o desemprego, definhar a economia e aumentar a dívida pública. Vimos ainda partir os nossos familiares e amigos e assistimos à degradação da situação económica e social.

As eleições de 2015 trouxeram-nos um novo Governo apoiado por uma forte maioria parlamentar. Uma maioria parlamentar de esquerda. Que tem provado ser possível devolver a dignidade aos portugueses, fazer crescer a economia, reduzir a dívida pública e afirmar a soberania de Portugal. O líder parlamentar do partido em que milito desde 1990 e pelo qual sou eleita, Carlos César, sintetizou, no último debate quinzenal, de forma muito objetiva, alguns resultados alcançados com a estratégia reformista levada a efeito pelo atual Governo. Quero, hoje, através das suas palavras, partilhá-los com todos vós.

Temos, a nosso crédito, em pouco tempo: o maior pib per capita de sempre; o crescimento da economia no final de 2016 foi o dobro do final de 2015; atingimos o maior volume de exportações de sempre, crescendo nos primeiros dois meses deste ano 13,8% quando no período homólogo de 2015 o crescimento tinha sido nulo; tivemos, no final de 2016, o maior crescimento do investimento dos últimos 6 anos, quase oito vezes superior ao final de 2015; tivemos o maior crescimento do investimento privado dos últimos 16 anos, enquanto no final de 2015 o investimento privado estava a cair; o número dos edifícios licenciados cresceu em 2016 pela primeira vez ao fim de muitos anos; conseguimos a maior criação de emprego, pelo menos dos últimos 18 anos, e o número de empregados ficou ao nível mais alto dos últimos 5 anos e meio; a taxa de desemprego é, agora, a mais baixa dos últimos 8 anos; a confiança dos consumidores está no máximo dos últimos 17 anos e o clima económico dos últimos 15 anos; o rendimento disponível das famílias cresceu, quando na governação do PSD/CDS tinha descido 6,5%; o défice púbico é o mais baixo dos últimos 44 anos; a dívida pública líquida baixou pela primeira vez, em 2016, ao fim de 17 anos, e durante o governo PSD/ CDS a dívida pública líquida subiu todos os anos: +20,8 pontos percentuais do pib!

Fico muito incomodada quando invocam os tempos da ditadura afirmando que hoje Portugal está pior. Não é verdade! Felizmente tenho memória. Do trabalho à jorna, da pouca escolaridade, das casas de telha vã e terra batida, dos candeeiros a petróleo, do conduto apenas comido ao domingo e de tantas
outras realidades negadas por quem as viveu e desconhecidas das gerações que nos sucederam. Mas também tenho memória da degradação social e económica para onde, há bem pouco tempo, quiseram remeter Portugal e os portugueses. É, por tudo isto, tão importante que tenhamos cerrado fileiras e firmado compromissos para afirmar e credibilizar a batalha do desenvolvimento e o reforço da coesão social. É também desta forma que fazemos cumprir Abril.

Idália Serrão

Deputada do PS eleita por Santarém