Passou mais um ano e lá temos, novamente, as tropelias orçamentais à porta!

Dispensando uma análise detalhada daquilo que são os inúmeros aumentos de impostos inscritos no documento do orçamento, como são aqueles ao nível do IMI, dos combustíveis, dos veículos, das bebidas alcoólicas como a cerveja, do alojamento local, dos cartuxos para caçadores, do IUC, entre ouros, o que interessa observar, ao dia de hoje, é que, ao contrário do prometido por este Governo, não acabam os impostos. Aliás, aumentam nalguns casos. Em 2017 não acaba a sobretaxa(!!), não se prevê melhoria do nível de vida dos Portugueses (basta ver o acréscimo nos escalões do IRS e o valor da inflação comparativamente com os aumentos salariais propostos), não haverá crescimento económico sustentável como houve em 2015, não irão ser realizadas as obras de proximidade programadas pelo anterior Governo, e que muita faltam fazem a quem todos os dias percorre as estradas de Santarém (neste caso espero que o Governo não seja seletivo nos investimentos locais e trate todos os Municípios por igual).

Também não vou aqui dissertar sobre as incongruências que a UTAO descobriu no OE2017, ou mesmo sobre a repetida vergonha, em linha com o ano anterior, de ter a Comissão Europeia a duvidar dos números apresentados por Portugal.

Contudo, vale a pena reflectir sobre o que interessa aos Portugueses; para onde nos leva este OE2017? Em que é que este exercício pode refletir uma melhoria da nossa vida e das futuras gerações? Em que medida não estamos a repetir os erros da governação Sócrates, que privilegiou o bem-estar presente em troca de uma crise gravíssima do País, passados uns anos?

Será que este aumento dos impostos indiretos, que afetam o tecido económico e as famílias indiscriminadamente (o aumento do gasóleo é igual para quem ganha 600 euros ou 15000 euros !!!), são a reforma de que o País necessitava?

Será que reduzir impostos diretos (que incidiam em quem mais ganhava) e trocá-los por enormes aumentos nos carros, nos combustíveis, nos impostos sobre as casas ou mesmo sobre as cervejas vai originar mais emprego ou riqueza futura nas empresas Portuguesas?

Não julgo.

 

Nuno Serra

Deputado do PSD eleito por Santarém