João Raquel nasceu em Benavente no ano de 1977. Aos oito anos de idade iniciou os seus estudos musicais na Sociedade Filarmónica Benaventense, como trompetista.

A paixão pela música levou-o à direcção de orquestras, como a banda da Sociedade Filarmónica Incrível Pontevelense ou a banda da Academia Musical do Lumiar Actualmente, está a concorrer a um programa da TV espanhola “Bravo Maestro”, onde o público tem algumas semanas para votar através de internet: são mais de 100 candidatos dos vários cantos do Mundo e serão seleccionados cinco maestros para a grande final.

Enquanto maestro, quais têm sido os seus últimos projetos?

Felizmente, nos últimos anos, tenho desenvolvido muitos projectos de que me orgulho muito, principalmente com a banda da Sociedade Musical Recreativa Obidense, da qual sou maestro. Actuámos em Espanha e Itália, gravámos um CD e ganhámos dois prémios no Concurso Ateneu, o segundo lugar na 3ª categoria sinfónica e o prémio pasodoble. Tive também a oportunidade de dirigir, como maestro convidado, duas bandas espanholas. Participei recentemente, como co-autor, em três livros do maestro Navarro Lara sobre direcção orquestral, os quais se transformaram rapidamente em best sellers.

Como é, para si, dirigir uma orquestra?

Dirigir é a minha grande paixão. Depois de muitos anos de estudos musicais e de muitas experiências enquanto musico descobri que quem dirige uma banda ou orquestra é como se tocasse um instrumento gigante. Adoro o desafio de tentar unir pessoas à volta das mesmas ideias musicais, de colocá-las a desenvolver uma mentalidade musical comum, pois sempre entendi a música como uma arte que deve unir as pessoas e que, no fundo, atinge a sua plenitude quando todos os intérpretes se unem para além das notas musicais.

Há algum sonho que tenha em mente? Algum projecto que queira desenvolver?

A minha vida é baseada em sonhos, muitos deles já consegui realizar, outros estão em fase embrionária e outros irão, certamente, aparecer ao longo da minha vida. Adorava dirigir uma grande orquestra de nível mundial… é um sonho, um desafia, uma meta! Nesse sentido estou a concorrer a um programa de televisão de Espanha que se chama “BRAVO MAESTRO”, promovido pela Escola de Direcção de Banda, Orquestra e Coro Maestro Francisco Navarro Lara. Estão a concorrer 117 maestros de todo o mundo… serão apurados 5 para a final, onde dirigirão a OIDO (Orquestra Internacional de Directores de Orquestra), em Huelva… o vencedor dirigirá a Orquestra Nacional do Paraguai… Eu quero lá estar! Para isso preciso muito dos votos do público e qualquer pessoa pode votar. Basta entrar no site www.musicum.net/votar e escrever o seu nome e email e o meu nome completo (JOAO DOMINGOS MARQUES RAQUEL). Gostaria muito de contar com o apoio de todos os portugueses, principalmente dos ribatejanos, pois quero levar a marca da nossa região o mais longe possível.

Peço por isso que todos votem com quantos emails tiverem!!

De momento estou também a preparar outros projectos que serão um marco importante na minha vida. No dia 16 de Abril, domingo de Páscoa, estarei no norte de Itália a dirigir a Banda Città di Staffolo. Ainda no mês de Abril irei gravar um CD de marchas de procissão com a banda de Óbidos e o primeiro CD da Orquestra Juvenil de Óbidos, a qual também dirijo. Em Julho terei a oportunidade de dirigir a orquestra SOPEJO (Sopros e Percussão Jovens do Oeste) e em Agosto, através de um programa de Erasmus+ receberei em Óbidos, juntamente com a banda local, quatro maestros estrangeiros, de Espanha, Itália, Bélgica e Alemanha, para, em conjunto, desenvolvermos ideias e projetos musicais a nível europeu.

Quais os momentos mais marcantes da sua carreira?

Têm sido muitos, como músico destaco a minha passagem pela Orquestra de Sopros de Jovens da União Europeia, onde representei Portugal, a minha passagem pelo Olympia de Paris a acompanhar um cantor português, a participação em três espectáculos de Filipe La Feria e a passagem pelo Palau de la Musica de Valencia, onde toquei com uma banda espanhola, num concurso, tendo ficado em primeiro lugar.

Como maestro destaco os prémios ganhos com a banda de Óbidos no Concurso Ateneu, a gravação do CD e os festivais de música em Espanha e Itália com a mesma banda e a oportunidade de ter dirigido em Espanha como maestro convidado.

Acha fundamental um músico estudar no estrangeiro?

Sinceramente não. Felizmente o nosso país tem evoluído muito ao nível do ensino da música. Temos muitos e bons conservatórios com excelentes professores, tal como Escolas Superiores de Música. Penso que falta apenas pensar nas pessoas da minha geração, que estando já no mercado de trabalho, caso queiram aprofundar os seus estudos, não têm oportunidades, pois não há ensino pós-laboral. É por isso que estou a fazer a minha licenciatura em direcção de banda e orquestra em Espanha, pois há a possibilidade de assistir às aulas online e de enviar os trabalhos realizados.

Em sua opinião, Portugal tem mercado para tantos e tão bons músicos?

Penso que não, conheço excelentes músicos portugueses que não conseguem trabalhar na área em que se especializaram. Acho que a música, em Portugal, ainda se vê muito como uma actividade amadora, que se faz por “amor à camisola”. A maioria das pessoas olha para o trabalho dos músicos como um passatempo, não fazendo ideia das horas de estudo e trabalho que cada um necessita até chegar ao resultado final que chega ao público.

Depois temos o problema, muito latino, de dar importância e tempo de antena ao que é medíocre, ao que é mau… dizemos que é para gozar, mas no fundo esse tipo de “artistas” retira, quase na totalidade, o espaço à boa música e aos bons intérpretes.

Que conselhos quer deixar aos jovens músicos e maestros portugueses?

Aconselho a que, por um lado, não desistam dos seus sonhos, que sejam persistentes e por outro que dignifiquem a classe dos músicos. Que pautem o seu trabalho pela qualidade, que se empenhem sempre para se superarem, que tentem sempre demonstrar o melhor do seu trabalho, pois só assim poderão ter sucesso.