O documentário audiovisual foi reconhecido pelo seu “amplo trabalho de compilação gráfica e investigação científica, assim como pela sua qualidade técnica e capacidade de difusão e divulgação junto do grande público”.

Este projeto foi liderado pela Junta espanhola da Extremadura, e nele participaram investigadores de Itália e Portugal, nomeadamente do Instituto Terra e Memória, de Mação.

Luiz Oosterbeek, do ITM e do Instituto Politécnico de Tomar, explica que o documentário, de cerca de 30 minutos, “convida a regressar à Pré-História para compreender o significado das pinturas de mãos na dinâmica dos territórios e fronteiras entre comunidades humanas de Neandertais e de humanos modernos (Sapiens), no Paleolítico superior”, tendo feito notar que o mesmo pretende “dar a perceber como viviam e comunicavam os nossos antepassados, com o apoio de dados científicos e reconstruções cénicas e teatrais”.

Estes motivos “emergem em comunidades de Homens anatomicamente modernos, discutindo-se como se estruturaram as fronteiras e os intercâmbios entre estes e os anteriores povoadores europeus Neandertais”, acrescentou Luiz Oosterbeek.

A equipa do ITM, liderada por Pedro Cura, Sara Garcês e Luiz Oosterbeek, foi responsável pela recriação de todo o cenário de acampamento ao ar livre e em gruta de Homo Sapiens e Neandertais, as duas espécies representadas, e cuja discussão científica tenta compreender quando, onde e quem realizou as mãos na arte paleolítica europeia (num período de tempo entre os 45 000 e 35 000 anos), e levantar questões sobre a sua conservação, datação, técnicas e interpretação.

mação

Os arqueólogos portugueses recriaram vários cenários como, por exemplo, um acampamento ao ar livre com cerca de 35.000 anos, onde cabanas, roupas, adornos, armas e fogueiras foram alguns dos elementos incorporados.

“A nossa experiência ao nível do estudo da arqueologia pré-histórica e conhecimentos dos factos e realidades de então levou a que nos convidassem para recriar o modo de vida de uma tribo, no seu dia-a-dia, onde montámos um acampamento ao ar livre, recriámos um ritual xamânico e cenas de pintura nas paredes dentro de uma gruta, com um grupo de pessoas pertencentes à mesma tribo”, destacou por sua vez, a arqueóloga Sara Garcês, do ITM.

Realizado pela produtora estremenha “Libre Producciones”, as gravações do documentário científico decorreram na localidade de Fuentes de León (Extremadura Espanhola) sobre as representações de mãos na arte rupestre pré-histórica, no âmbito do projecto europeu “HandPas – Hands from the Past – Mãos do Passado”, de que o ITM é parceiro, e onde se localizam as Cuevas de Fuentes de León, conjunto de grutas com ocupações pré-históricas.

O filme apresenta o contexto, a cronologia, as técnicas e os possíveis significados destas simbologias, e é uma produção conjunta da Junta de Extremadura (Espanha), do Instituto Terra e Memória, de Mação (Portugal) e do Centro de Estudos e Museu de Arte de Pinerolo (Itália), com apoio da Comissão Europeia e coordenação geral de Hipólito Collado (investigador do ITM em Portugal e director de Arqueologia na Extremadura em Espanha).

As versões em português, inglês, espanhol e italiano do documentário estarão brevemente disponíveis na Internet, assim como uma versão infantil em espanhol e inglês, que permitirá uma rápida difusão do trabalho desenvolvido entre o público escolar. No próximo dia 17 de Maio, pelas 16h00, será feita uma apresentação pública na Sociedade de Geografia de Lisboa.

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