Moita do Ribatejo – Praça Daniel do Nascimento, 15 de Setembro de 2017, às 22 horas. Corrida à Portuguesa. Cavaleiros: João Moura Jr., João Telles e Francisco Palha; Grupos de Forcados Amadores de Évora e de Alcochete; Concurso de Ganadarias – Veiga Teixeira, Fernandes de Castro, Ascensão Vaz, Prudêncio, Murteira Grave e Herdºs de António Silva; Director de Corrida: Rogério Jóia; Tempo: Frio; Entrada de Público: 1/3 de Casa.

Fomos à Moita do Ribatejo aliciados por um cartel interessante, composto por jovens cavaleiros que têm dado boas indicações técnicas e artísticas num passado recente recheado de triunfos e que apontam para um futuro muito auspicioso, por dois Grupos de Forcados de muita categoria e pelos toiros que, sujeitos a concurso de ganadarias, tendem a ser escolhidos entre os melhores na perspectiva dos respectivos ganadeiros. Como sói dizer-se em gíria taurina, era uma corrida de muita expectativa, mas… saímos algo frustrados. Para mais devido ao desenlace fatal de Fernando Quintella, valoroso Forcado e Homem excelente, que em paz descanse.

A noite muito fria, a aconselhar maior proximidade ao tradicional “fogareiro”, e a sequência de quatro espectáculos a meio do mês, cujos bilhetes não eram propriamente baratos, terão contribuído para a escassa afluência de público, e, quiçá, para o pouco interesse da corrida, que decorreu quase sempre em ambiente gélido. João Moura Jr. andou em plano de muita sobriedade, limitando-se a cumprir num registo de pouco empenho e interesse.

Nem sempre acertando nas distâncias e nos terrenos dos seus oponentes, oriundos das ganadarias de Veiga Teixeira e de Prudêncio, a substituir o anunciado toiro de Diego Ventura, o jovem Moura foi despachando a ferragem da ordem, melhorando um pouco com os ferros curtos frente ao toiro que enfrentou em segundo lugar, mas sem dar sinal da sua efectiva categoria. João Telles foi o marialva que evidenciou melhores detalhes técnicos embora em nenhuma das lides tivesse logrado atingir o nível que lhe é habitual. Dotado de tão valiosos recursos em termos de toureio clássico, valorizado com adornos de requintada qualidade artística, João Telles não superou as dificuldades dos seus oponentes, mesmo tendo em conta que lhe coube lidar o toiro de Murteira Grave, vencedor do prémio de Bravura, que exigia uma brega dominadora e muito mando no centro de cada sorte.

Francisco Palha começou bem mas terminou num nível muito aquém das nossas expectativas. Frente ao seu primeiro oponente, de Ascensão Vaz, cravou um ferro comprido de muito mérito, o segundo, o que levou o melómano director de corrida a conceder-lhe música de imediato, porém, foi sol de pouca dura, uma vez que daí por diante, equivocando-se sobremaneira na distância do colaborante e bonito toiro, protagonizou uma série de incompreensíveis passagens em falso.

Quando o cavaleiro não acerta na distância e nos terrenos do toiro não deve insistir no toureio frontal, cumprindo-lhe abordar o toiro noutro tipo de sortes, pois, assim, enfastia o público e diminui-se o toureiro.

Foi pena, pois, Francisco Palha teve aqui uma oportunidade de oiro para consolidar a ascensão que lhe vínhamos apreciando.

Frente ao último da corrida, toiro de António Silva, Palha limitou-se a cumprir sem nada que nos recordássemos pelo caminho… No capítulo das pegas saíram à praça dois dos mais valorosos Grupo de Forcados da actualidade, sendo que neste confronto os eborenses lograram consumar todas as sortes ao primeiro intento, por intermédio de João Madeira, Miguel Direito e do Cabo João Pedro Oliveira. Pelos Amadores de Alcochete, que se apresentaram de luto pela morte de um dos seus fundadores, José Pinto, em cuja memória foi inicialmente respeitado um minuto de silêncio, foram solistas Pedro Gil, à primeira tentativa, Nuno Santana, numa única tentativa a dobrar o malogrado Fernando Quintella, desfeiteado em duas valorosas tentativas, e João Machacaz que, igualmente, se fechou à primeira.

Boa prestação dos peões-de-brega e dos campinos, direcção correcta de Rogério Jóia, talvez demasiado condescendente na concessão de música, cuja moderação se recomendaria.

Ludgero Mendes