Não há dia nenhum que não se fale do défice, da dívida ou mesmo dos juros soberanos, mas têm sido parcas as referências ou conversas acerca do investimento, quer público quer privado.

Este investimento público ou privado é, por natureza, o catalisador do crescimento económico. É claro que para a economia, e para todos nós que queremos um melhor futuro, é essencial que o investimento se traduza na aplicação de capital em algo, seja construir uma fábrica, uma estrada, um hospital, uma casa ou mesmo no apoio à criação de uma empresa.

Tive a oportunidade de mostrar no Parlamento, esta semana, que o investimento na Agricultura, nos anos de 2015 e 2016, foram bastante reduzidos em relação ao que vinha acontecer desde 2012.

Mas não foi só na agricultura! Por exemplo, em 2016, para alem de 450 milhões em cativações, reduzimos 30% na saúde e 65% no ensino.

Acrescendo a este corte no investimento público tivemos uma retracção por parte dos privados, umas vezes pelo atraso na atribuição dos fundos comunitários, que têm chegado à economia real em passo de caracol, outras vezes porque o empresário deixou de acreditar no futuro.

E este é o principal problema: o Governo não está a investir no futuro do País. E deixar de investir no nosso futuro não é só deixar de aplicar capital financeiro em infraestruturas é, mais que tudo, não garantir um capital de credibilidade à sua acção que nos faça pensar que o amanhã será, de certeza melhor que o hoje. A vida, para cada um de nós, passa diariamente em excesso de velocidade e é necessário que os decisores e autoridades sejam o garante do nosso bem-estar futuro como cidadãos.

Portugal precisa de acreditar no seu futuro, mas para isso precisa que aqueles que hoje nos governam sejam capazes de nos fazer acreditar neles ou pelo menos que nos façam aceitar que, nas suas acções diárias, eles pensam investir em nós…

Nuno Serra

Deputado do PSD eleito por Santarém

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