O “jovem da Azóia” que já ganhou a dois ‘pesos-pesados políticos’ do PS
Foi no coreto do Jardim da República que Ricardo Gonçalves fez o seu discurso de vitória nas eleições autárquicas de 1 de Outubro. Pouco passava da meia-noite quando o autarca, agora reeleito, subiu ao palanque no qual se lia “Santarém. Obrigado! Pela Confiança”, para prometer que “o melhor está para vir” em Santarém.
“Conquistámos mais um vereador. Tivemos mais mandatos para a Assembleia Municipal e temos mais Juntas”, começou por dizer, realçando as vitórias alcançadas nas freguesias de Alcanhões e da Póvoa da Isenta.
“Muitos diziam que eu não tinha peso político, que era um jovem da Azóia. Mas este jovem da Azóia já ganhou a dois pesos-pesados do PS de Santarém, a dois ex-secretários de Estado”, disse Ricardo Gonçalves.
Segundo afirmou, estas vitórias (a primeira foi em 2013 onde ficou a dois votos da maioria absoluta), aconteceram porque apresentou sempre “os melhores projectos e as melhores pessoas” e trabalha “com humildade”.

Resultados Câmara Municipal

Resultados Assembleia de Freguesia

Resultados Assembleia Municipal

“É isto que nos diferencia”, disse Ricardo Gonçalves perante mais de uma centena de apoiantes no Jardim da República, prometendo aos habitantes do concelho que “o melhor está para vir”.
“Tivemos quatro anos muito difíceis. As pessoas confiaram em nós para cuidar de Santarém e fizemo-lo. Agora, deram-nos mais quatro anos para fazer crescer Santarém e nós, todos juntos, vamos fazer crescer o concelho”, garantiu, concluindo: “o melhor de Santarém ainda está para vir”, citação de uma expressão do ex-presidente norte-americano Barack Obama.
“Vou trabalhar e empenhar-me ainda mais do que fiz nos últimos quatro anos para continuar a trilhar o caminho que defini. Para que a cidade dos nossos sonhos, a cidade na qual todos acreditamos possa ser concretizada”, afirmou Ricardo Gonçalves aos jornalistas no final da sua intervenção pública.
Para o autarca, os resultados foram uma surpresa: “ao longo da noite sempre fui tendo a consciência que tinha ganho, com maioria, mas esperava que a CDU elegesse um vereador”.
Ainda assim, Ricardo Gonçalves disse que o PSD “procurará sempre trabalhar com todos” e que, a exemplo do que aconteceu há quatro anos – em que conquistou uma maioria relativa de quatro eleitos contra cinco da oposição (quatro do PS e um da CDU) – irá falar com os socialistas “para saber se pelo menos um vereador ou outro” poderão fazer parte do executivo.
“Fiquei muito triste há quatro anos atrás quando lancei o mesmo repto, numa altura difícil, e não foi aceite”, disse ainda.

Resultados por Concelho

O presidente reeleito lamentou “coisas que se passaram” na campanha, em que o “tentaram silenciar através da Comissão Nacional de Eleições”, numa referência às denúncias apresentadas pelo PS sobre uso abusivo de meios de comunicação e das redes sociais.
“Nesta campanha não dissemos mal de ninguém. Sempre falámos de ideias, apresentamos programas mas lamento algumas coisas que se passaram porque acho que a política não é isso. Temos a responsabilidade de moralizar a actividade política porque só assim podemos mudar a ideia que as pessoas têm dos políticos e desta actividade”, lamentou, acrescentando: “esta maioria é uma responsabilidade”.
Questionado sobre se o seu número dois, o deputado Nuno Serra (presidente da Distrital do PSD), irá assumir pelouros, Ricardo Gonçalves afirmou que essa questão “será vista” até à tomada de posse, que acontecerá no final do Festival Nacional de Gastronomia, a decorrer em Santarém de 19 a 29 de Outubro.

“A tomada de posse será realizada mais tarde porque quero que a actual equipa, e em particular o vereador Luís Farinha, que fez um grande trabalho no Festival Nacional da gastronomia, termine mais esta edição”, justificou.
Ao Correio do Ribatejo, Ricardo Gonçalves escusou-se de comentar os resultados nacionais, nos quais o seu partido, o PSD, obteve o pior resultado de sempre em eleições autárquicas.
“O que importa agora é trabalhar”, disse, assumindo as escolhas pessoais que fez para as Juntas de Freguesia mesmo contra a vontade “de algumas pessoas do partido”.
Os 27.776 eleitores (dos 51.718 inscritos) que votaram no concelho de Santarém deram a maioria absoluta ao PSD, com 43,2% (com mais um voto que em 2013), elegendo cinco mandatos, ficando o PS com os restantes quatro membros do executivo municipal, já que obteve 34,1% e mais 496 votos que há quatro anos, surgindo a CDU como a grande derrotada no concelho, ao perder 753 votos (ficou com 7,6%) e a única freguesia que detinha (Póvoa da Isenta).

Resultados por Freguesia

CDU perde representatividade
A CDU, que apresentou José Luís Cabrita como cabeça de lista, perdeu o lugar que tinha no executivo municipal. O candidato da coligação disse que o resultado alcançado (7,6% contra os 10,3% de 2013) não era o esperado, “pelo trabalho realizado na Câmara e na Assembleia Municipal e pelo acolhimento tido antes e durante a campanha eleitoral”, assegurando que o partido “vai continuar atento e vai intervir em tudo o que diga respeito às populações”.
Já o candidato do PS, Rui Barreiro, assumiu a “responsabilidade integral” da derrota, admitindo não ter ficado satisfeito por, apesar de ter subido a percentagem e o número de votos, não ter alcançado o resultado a que se tinha proposto.

O socialista, que já presidiu à Câmara de Santarém entre 2001 e 2005, ano em que foi derrotado por Moita Flores (o independente que “roubou” uma câmara desde sempre socialista para o PSD), sublinhou que “houve claramente uma bipolarização” nesta eleição, prometendo que o PS vai assumir o seu papel de fiscalização da gestão social-democrata.
Rui Barreiro disse que vai assumir o seu lugar na vereação, “pelo menos para já”, deixando à Comissão Política concelhia que será eleita dentro de seis meses a decisão sobre a sua continuidade ou não, sendo que o resultado deste domingo será analisado na próxima reunião desta estrutura.
Rocha Pinto, do CDS-PP, assumiu a responsabilidade pelos resultados obtidos (5.4% dos votos, face aos 2,6% de 2013), assinalado, ao Correio do Ribatejo que o partido “ganhou a legitimidade de propor ideias para a cidade”.
“Nós fomos a votos. Não somos políticos de sofá ou de facebook”, declarou.
“A lista que encabecei perdeu, apesar da notória subida de votação. Assumo naturalmente a correspondente responsabilidade”, disse, acrescentando: “apesar de termos tido a melhor votação de sempre, não foi suficiente”.
“As propostas, a equipa e as ideias não foram suficientes para merecermos a eleição. Vivemos numa democracia e o eleitor é soberano”, disse ainda, lamentando não ter conseguido “transmitir a mais pessoas os valores” do partido.

“Candidatei-me para um combate que sabia difícil e provavelmente desequilibrado. Fizemos uma campanha com poucos meios mas ficámos mais ricos com o contacto com a população e orgulhosos de ter dado visibilidade a instituições de apoio social e empresas”, referiu, concluindo ter ganho, nestas eleições, a “moralidade” para poder manter as suas “críticas construtivas”.
Na eleição de domingo, o candidato do CDS-PP, António Rocha Pinto, conseguiu subir a votação no partido dos 717 votos de 2013 para os 1.509 (5,4%), tendo a candidata do BE, Filipa Filipe, conquistado igualmente mais 327 votos, passando dos 2,9% para os 4,1%, enquanto Carlos Teles, do PNR (partido que concorreu pela primeira vez a Santarém), obteve 0,6% dos votos.
Das 18 freguesias do concelho, nove foram conquistadas pelo PSD (entre as quais a da cidade), seis pelo PS e três por listas de independentes.
O concelho de Santarém, que integra a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, ocupa uma área de 552,5 quilómetros quadrados, tem 18 freguesias e uma população residente de 61.752 habitantes, registada nos Censos de 2011 (contra os 64.002 de 1950, ano de maior pico populacional). Entre os censos de 2001 e os de 2011, a população residente reduziu de 63.563 pessoas para 62.200 (numa variação negativa de 2,14%), com a faixa etária dos 65 ou mais anos a passar dos 13.049 para os 14.162, a única a registar uma variação positiva (8,53%).

Às eleições de 01 de Outubro concorreram à presidência da Câmara de Santarém, segundo a ordem sorteada para o boletim de voto, António Rocha Pinto (CDS-PP), Filipa Filipe (BE), Rui Barreiro (PS), José Luís Cabrita (PCP/PEV), Carlos Alberto Teles (PNR) e Ricardo Gonçalves (PPD-PSD).
Até à chegada de Francisco Moita Flores em 2005, Santarém foi sempre gerida por executivos socialistas, liderados por Ladislau Botas (1976 a 1993), José Miguel Noras (1993 a 2001) e Rui Pedro Barreiro (2001 a 2005).

PS perde Ourém mas conquista Constância, mantendo maioria no distrito
O PS foi o partido mais votado no distrito de Santarém, compensando a perda do município de Ourém para o PSD com a conquista de Constância à CDU, o que lhe permitiu manter sob gestão socialista 13 dos 21 concelhos.
Com 43,9% dos votos e 74 dos 133 eleitos para executivos municipais no distrito, os socialistas reforçaram as maiorias nos concelhos de Abrantes (de 47,4% em 2013 para os 51,7%), de Alcanena (de 42,7% para 55,4%), de Almeirim (de 59,9% para 73,9%).
A votação no PS subiu ainda nos concelhos de Constância, onde destronou a CDU, que geria o município há 28 anos (passou de 38% para 53,2%), de Coruche (de 53,8% para 57%), do Entroncamento (de 42% para 45,4%), de Torres Novas (de 44,7% para 51,3%) e de Vila Nova da Barquinha (de 57,2% para 65,2%).
As subidas registadas no Cartaxo (de 36,4% para 52,5%), na Chamusca (de 33,4% para 54,1%), na Golegã (de 38,5% para 56,8%), em Salvaterra de Magos (de 32,8% para 52,5%) e em Tomar (de 27,6% para 40,2%) permitiram aos socialistas passar de maiorias relativas para maiorias absolutas.
O PSD, segundo partido mais votado, sozinho e em diferentes coligações (obtendo no conjunto cerca de 29% dos votos e 39 eleitos em executivos municipais), aumentou o número de Câmaras ‘laranja’ de cinco para seis, ao reconquistar Ourém ao PS, partido que viu o candidato Paulo Fonseca a ser substituído nas vésperas das eleições pela ‘número dois’, Cília Seixo, depois de o Tribunal Constitucional confirmar a sua inelegibilidade por se encontrar insolvente.
Os sociais-democratas reforçaram a votação nos concelhos de Mação (de 52,8% para 65,5%), de Rio Maior (48,9% para 52,9%), de Sardoal (de 49,6% para 56,1%) e Santarém, capital do distrito (40,3% para 43,2%, passando de maioria relativa a maioria absoluta), tendo perdido o vereador que detinham em Salvaterra de Magos e baixado em Ferreira do Zêzere de 47,7% para 44,9% dos votos.
A CDU surge como a grande derrotada no distrito, não só por ter perdido Constância para o PS (de três passou para dois eleitos), ficando a gerir apenas dois concelhos – Alpiarça e Benavente, mas também por ter perdido os seus vereadores nos executivos de Santarém, Torres Novas, Tomar, Salvaterra de Magos, Rio Maior, Entroncamento, Chamusca (de dois passou para um eleito) e Abrantes.
Embora tenha mantido o número de mandatos na Câmara de Alpiarça (três), a votação baixou dos 53,6% para os 45,6%, e em Benavente a descida percentual (de 51,3% para 45,5%) levou à perda de um eleito (de cinco para quatro). Contudo, manteve a maioria absoluta em ambos os executivos.
Apenas na Golegã a CDU melhorou a votação, subindo dos 7,4% de 2013 para os 19,1%, o que lhe permitiu eleger um vereador.
Dos 23 eleitos em executivos municipais no distrito em 2013, a CDU passou a ter apenas 14 em 133 mandatos.
Já o Bloco de Esquerda conseguiu aumentar o número de vereadores no distrito de quatro para cinco, passando a ter um vereador na Câmara Municipal de Abrantes (10,8%) e mantendo as representações que já tinha nos executivos do Entroncamento (12,2%,) e de Torres Novas (14,5%), bem como os dois eleitos em Salvaterra de Magos.
Neste concelho, apesar do regresso de Ana Cristina Ribeiro (que protagonizou a primeira, e até aqui única, presidência de Câmara bloquista, entre 2001 e 2013), o partido não conseguiu melhorar a votação (de 27% em 2013 passou para 22,5%).
Os movimentos de independentes perderam presença nos executivos municipais do distrito de Santarém, onde tinham representação, nomeadamente no Cartaxo, em Tomar e em Ourém.
A votação no distrito subiu ligeiramente em relação a 2013 (passando dos 53,68% para os 54,95%), embora o número de inscritos e de votantes tenha baixado, de 399.173 para 386.154 (menos 13.019) e de 214.260 para 212.210 (menos 2.050), respectivamente.

Eleições provocam poucas mexidas no xadrez autárquico do distrito
O eleitorado do distrito de Santarém mostrou-se conservador nestas eleições, optando por reeleger a grande maioria dos presidentes de Câmara que já estavam no poder.
O PS retirou a presidência do município de Constância à CDU, mas perdeu a presidência de Ourém para o candidato do PSD/CDS-PP. José Maltez regressa à Golegã, que já era uma autarquia socialista.
Num dos resultados eleitorais mais surpreendentes, o PS conquistou a presidência da Câmara de Constância, liderada pelos comunistas há cerca de 30 anos, resultado que o novo presidente atribui à “vontade de mudança” por parte da população.
Sérgio Oliveira será o novo presidente do município, com maioria absoluta, sucedendo a Júlia Amorim (PCP/PEV), que se recandidatava a um novo mandato.
Em 2013, a CDU conquistou três mandatos e o PS dois, proporção que se inverteu agora: os socialistas passam a deter três lugares no executivo e a coligação de esquerda dois.
“Saio da câmara de cabeça erguida e deixando uma situação financeira estável”, disse Júlia Amorim, candidata à Câmara de Constância pela CDU, coligação que se manteve à frente dos desígnios da edilidade durante mais de 30 anos e que agora se viu vencida pelo PS.
Sérgio Oliveira é o novo presidente da Câmara, eleito com 53,16% dos votos.
“Nós esperávamos ganhar, mas não com uma diferença tão grande”, disse o candidato socialista.
“Quando andávamos na rua sentíamos a vontade das pessoas em mudar. Nós esperávamos ganhar estas eleições, mas não com esta diferença. Vamos cumprir o nosso programa eleitoral”, assegurou Sérgio Oliveira, tendo sublinhado que será “um presidente de todos e de proximidade, um pólo de união e não de desunião, como aconteceu nos últimos anos”.
Sérgio Oliveira disse ainda que o PS “estará sempre disposto a receber as propostas da oposição” e que as prioridades “serão o conhecimento dos dossiers, o regulamento de apoio ao investidor, apostar na fixação de população e criar mais emprego”.


Confrontada com os 30,46% por cento dos votos obtidos nestas eleições (em 2013 a CDU tinha atingido os 45,57%), Júlia Amorim disse que a derrota eleitoral a “entristece”, tendo em conta, defendeu, “um programa mais realista”, relativamente às “ideias” da candidatura ganhadora.
“Fomos eleitos na qualidade de vencidos e devemos continuar a prestar o serviço na oposição. Elegemos duas vereadoras e neste quadro temos propostas realistas. Não faremos uma oposição acomodada. Acredito numa democracia partidária, os cidadãos escolheram quem deveria continuar a governar e, com serenidade, temos de aceitar os resultados”, afirmou.
Depois de 32 anos de governação CDU, Constância será agora governada pelo PS que elegeu três vereadores. O Movimento Independentes por Constância (MIC) conquistou 7,47% dos votos, ficando à frente do PSD/CDS-PP que conseguiu 5,42%, menos três pontos percentuais do que em 2013.
Na Assembleia Municipal o PS também se substitui à CDU, tendo conseguido uma vitória com 50,62% dos votos conta os 33% alcançados pela CDU. Assim, o PS conseguiu para a Assembleia Municipal nove mandatos, a CDU cinco, e o MIC um mandato. A abstenção em Constância fixou-se nos 30%.
Em Ourém, o PS perdeu a Câmara que passará a ser presidida por Luís Miguel Albuquerque, eleito por uma coligação PSD/CDS-PP, segundo os resultados das autárquicas divulgados pelo Ministério da Administração Interna.
A câmara era presidida pelo socialista Paulo Fonseca, que o PS voltou a candidatar este ano. No entanto, Paulo Fonseca estava envolvido num processo de insolvência e a candidatura foi ‘chumbada’ pelos tribunais.
A número dois da lista acabou por liderar a candidatura do PS em Ourém nas eleições de 1 Outubro. A coligação PSD/CDS-PP conseguiu 47.75% dos votos, elegendo três vereadores e o PS 33.78%, elegendo dois vereadores.