A EMEF é uma importante empresa para a nossa região e para o país. Com sede no Entroncamento, onde laboram centenas de trabalhadores, a empresa tem a seu cargo a manutenção de equipamentos ferroviários e a grande reparação e requalificação de material circulante, locomotivas, vagões e carruagens. Dispõe de um quadro de profissionais altamente qualificados, de reconhecido valor.

A EMEF chegou a empregar quase dois mil operários. Entretanto, o desinvestimento sistemático na ferrovia levou ao encerramento de linhas e estações e à redução das circulações. Se a este quadro regressivo acrescentarmos as alterações tecnológicas, percebemos a contínua redução do quadro de pessoal.

Hoje, a EMEF está numa encruzilhada. Correm insistentes rumores de que a empresa poderá vir a ser desmembrada, voltando uma parte à CP, o seu único acionista. A outra parte seria autonomizada, com a eventual entrada de capital privado. Naturalmente, os ferroviários da EMEF estão preocupados. Por eles, a empresa deveria ser totalmente integrada na CP e dotada de meios técnicos, humanos e financeiros que lhe permitisse apostar na construção de material circulante. O conhecimento já existe, já lá está, e permitiria acabar coma dependência dos mercados internacionais.

Uma aposta que deveria passar ainda pela admissão de mais trabalhadores, pois há muito trabalho para fazer. E que deveria acabar com a precariedade laboral, um cancro que mina a vida de quem trabalha e a própria produtividade da empresa.

Estas são preocupações justas, numa empresa estratégica e crucial para a segurança do transporte ferroviário, anualmente utilizado por mais de 115 milhões de passageiros.

As autarquias da região, a começar pelas autarquias do Entroncamento, devem bater-se pelo desenvolvimento da EMEF e estar solidárias com os seus trabalhadores.

Mas, o futuro da EMEF tem uma inegável dimensão nacional. Como deputado eleito pelo Bloco de Esquerda, pelo círculo de Santarém, irei receber na Assembleia da República a sua Comissão de Trabalhadores, para ouvir as suas preocupações e a sua visão sobre o futuro da empresa.

Cabe-nos bater-nos pelo fortalecimento da empresa.

Carlos Matias

Deputado do BE eleito por Santarém