enoturismoA Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo (ERTAR) arrancou, na segunda-feira, no Cartaxo, com um conjunto de reuniões descentralizadas para debater com parceiros públicos e privados o Plano Operacional para o Enoturismo para ambas as regiões.

O documento, que pretende a implementação de “uma estratégia concertada e eficaz” para o enoturismo, foi desenvolvido com a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), a Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVRT) e a Associação de Produtores de Vinhos da Costa Alentejana (APVCA).

O trabalho resulta de múltiplas visitas técnicas e entrevistas realizadas junto dos produtores das regiões, através das quais foi feito o levantamento da oferta turística actualmente existente neste sector de actividade.

“Hoje, há um consumidor de produtos turísticos que procura produtos diferenciados. O sucesso desta estratégia alimenta-nos a perspectiva de desenvolvimento sustentável porque uma estratégia de desenvolvimento destas áreas também está ligada ao sucesso e à nossa capacidade de planearmos o ordenamento do território de forma sustentável, com recursos naturais e um património que deve ser valorizado e protegido”, disse Pedro Magalhães Ribeiro, presidente da Câmara do Cartaxo.

Destacando a grande capacidade de mobilizar parcerias por parte da ERTAR, o autarca afirmou que este tipo de estratégias não terá sucesso se o trabalho for feito de forma isolada.

“Temos de ter uma grande capacidade de articulação e de trabalho em parceria, não sendo parceiros para apenas ter o logotipo associado a um evento mas sim em que cada parte assume responsabilidades tendo em vista o sucesso comum”, afirmou o também presidente da Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV).

“O vinho é um bom sector e a ANPV está também a desenvolver projectos em torno das rotas do vinho onde também temos a perspectiva de valorizar este produto e a sua importância económica, para além de tudo aquilo que tem a ver com a cultura e o património”, referiu.

Pedro Magalhães Ribeiro afirmou que “a AMPV tem tido, desde a sua criação um papel decisivo no posicionamento do vinho como produto de excelência dos territórios, não só pelo seu trabalho de promoção da qualidade intrínseca do produto, mas também pela capacidade de concretizar um dos objectivos centrais desta associação, a criação de redes de trabalho e colaboração, quer a nível nacional, quer internacional”, acrescentando que “ a AMPV vai continuar o seu trabalho de apoio às actividades ligadas ao vinho e ao mundo rural, que têm ganho importância central no que respeita quer ao crescimento económico, quer ao desenvolvimento cultural dos municípios, como são o enoturismo, as rotas do vinho ou a presença de produtores em certames internacionais”.

“Estamos numa região onde esta matéria é muito pertinente, uma vez que está a cerca de 45 minutos de Lisboa e, numa perspectiva de complementaridade e não de competição com a capital, temos de saber tirar partido de factores diferenciadores e recolher oportunidades”, apelou.

Para Pedro Ribeiro, um dos factores do insucesso das rotas do vinho desenvolvidas pelas CVR foi a de estas, praticamente, só terem tido a capacidade de mobilizar adegas e produtores.

“As rotas não podem viver só do vinho. Há outros factores que têm de ser ligados em cadeia, diversificando as rotas com outros atractivos como o património, a gastronomia e a paisagem, entre outros”, considerou.

“Plano não é para ficar na gaveta” 

Nesta primeira sessão de discussão do Plano para Enoturismo da região, o presidente da ERTAR, Ceia da Silva, disse ter ficado “surpreendido” com o facto de a revista norte americana Wine Enthusiast ter considerado o Alentejo como um dos 10 destinos de enoturismo de visita “obrigatória” em 2016.

“Estamos a estruturar produto e a preparar terreno mas já somos considerados, sem termos feito nada no território – vamos fazê-lo agora – para o merecer, um dos 10 melhores destinos do mundo”, disse Ceia da Silva, acrescentando: “Ou seja: estes prémios valem o que valem, mas valem sob o ponto de vista de afirmação do território e do destino”.

Para o responsável, o enoturismo é um produto “que, só por si, vende, mesmo sem ter sido ainda trabalhado. Há um espaço imenso para esta intervenção. Estamos a trabalhar a Região do Ribatejo há dois anos e não tenho dúvidas que irá receber, no futuro, distinções deste género”, afirmou.

Na sua intervenção, o presidente da ERTAR lembrou que “muitos destinos turísticos no mundo nasceram e morreram só com marketing”, defendendo, por isso que, “em turismo não basta falar em promoção. Tem de haver produto”.

“Este plano não é para ficar na gaveta nem para servir de base a teses de mestrado ou de doutoramento. É um plano operacional, para executar. Comigo nada fica na gaveta”, garantiu.

Segundo disse, o enoturismo é um produto com um potencial enorme neste território, mas nenhum produto pode ser olhado de forma isolada e estanque: “Os vinhos e a gastronomia são ainda a segunda motivação de visita ao território”, disse, referindo que o enoturismo da Cartuxa recebe anualmente 10 mil visitantes, 50 por cento dos quais são oriundos do Brasil.

“Não podemos repetir aquilo que foi feito com as antigas rotas do vinho, com ‘n’ placas distribuídas pelo território que não vão dar a lado nenhum. Não podemos vender gato por lebre. Este produto tem de ser bem trabalhado e estruturado para não repetirmos os erros do passado”, concluiu. Em concreto, o plano tem como objectivos estratégicos a estruturação de um modelo territorial de rotas temáticas, que assumam uma dimensão macro de “articulação entre as diferentes temáticas, bem como integrar-se numa maior amplitude territorial”.

Por outro lado, preconiza a criação de rotas do vinho, de índole temática, contemplando as dinâmicas produtivas, etnográficas e histórico-patrimoniais, gastronómicas e culturais.

Outro dos eixos a desenvolver centra-se no desenvolvimento de estratégias de promoção e divulgação das rotas “em plenitude com os agentes culturais, políticos e económicos locais”, no sentido de potenciar e afirmar as potencialidades patrimoniais do território.

Desenvolver instrumentos tecnológicos de “facilitação dos processos de visitação turística em processo de touring independente” e de um modelo formativo de “capacitação empresarial e comercial para os empresários do sector” são outros dos objectivos deste plano.

Vinho ultrapassa sol e mar como maior atributo turístico de Portugal 

O maior potencial turístico de Portugal e o produto que deve ser divulgado a nível internacional para vender o país como destino é o vinho. Num inquérito conduzido pelo IPDT, Instituto de Turismo, divulgado recentemente, 37% dos operadores estrangeiros questionados dizem que este é o melhor argumento de promoção do país fora de portas, e 31% dizem mesmo que associa o vinho ao turismo nacional.

Em 2012, este produto só era relacionado a Portugal por apenas 7% dos inquiridos e, um ano antes, por 10%. Destronados, o sol e o mar captam, agora, o interesse de 17% dos especialistas (37% em 2012 e 45% em 2011).

Outro resultado que se destaca neste estudo, conduzido pelo IPDT junto de um painel de membros filiados na Organização Mundial de Turismo, é o peso que a história de Portugal pode ter na hora de promover o destino. Em 2013, 16% dos inquiridos disseram associar Portugal a “história”, valor que em 2012 era de 9% e de 5% em 2011.

No inquérito conduzido durante o mês de Dezembro, 32% dos especialistas que já estiveram no país escolheram-no por ser “agradável e especial”. Cerca de 28% vieram pelas “cidades, história e cultura”. Questionados sobre a qualidade das campanhas promocionais nos mercados internacionais, 20% dão 8, numa escala de 1 a 10. Quanto à experiência de férias, 16% dá nota máxima (8% em 2012). Nenhum dos inquiridos dá uma classificação abaixo dos seis valores.

Plano para turismo náutico 

A Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo começou a debater com os parceiros regionais, na segunda-feira, a proposta de execução do Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Turismo Náutico no território.

A proposta foi elaborada com base nos resultados da consulta a vários agentes do sector público com responsabilidade na gestão do território e do levantamento efectuado junto dos empresários que operam nesta actividade turística.

“O Plano Estratégico que a ERT pretende operacionalizar tem especial enfoque nas linhas de água interiores e nos principais eixos fluviais – entre os quais o Tejo e o Guadiana -, no Alentejo Litoral e no Grande lago Alqueva e visa estruturar, dinamizar e promover o Turismo Náutico no Alentejo e Ribatejo”, foi revelado.

As reuniões começaram em Salvaterra de Magos, na segunda-feira, seguindo-se Portalegre (terça-feira), Reguengos de Monsaraz (dia 18) e Odemira e Beja (16 de Fevereiro).

Filipe Mendes

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