Fátima D’Oliveira, natura do Vale de Santarém, acaba de lançar o seu livro de contos “Tás com a Mosca ou Cheira-te a Palha?”. Editado sob a chancela da Chiado Editora, nesta obra Fátima D’Oliveira “atinge a maturação de um estilo literário e contista que, os seus percursos literário e de vida, vêm moldando, gradualmente, nas últimas duas décadas”, segundo é referido no prefácio. Ao Correio do Ribatejo, a autora assume a sua “paixão” pelos livros, revelando que a escrita, para si, é uma maneira de “exorcizar demónios” e também uma catarse.

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Em que altura da sua vida descobriu a vocação para a escrita?

Desde que me lembro de ser gente. Sei que pode soar extremamente presunçoso, mas esta é mais pura das verdades: desde muita tenra idade que sabia que o meu futuro estaria, de uma maneira ou de outra, ligado às letras. Talvez por ter sido, desde sempre, uma verdadeira apaixonada por livros…

De que tema trata o seu livro de contos “Tás com a mosca ou cheira-te a palha?”

Não há tema dominante. São 21 contos e micro-contos, totalmente independentes entre si, abordando os mais variadíssimos temas.

De onde nasceu este que é o seu terceiro livro? Qual foi o processo criativo?

Como atáxica que sou (padeço de ataxia de Friedreich), sei bem e em primeira mão do desconhecimento que impera e do desconforto que isso causa. Quantas e quantas vezes não aconteceu já perguntarem-me o que é que eu tenho e quando eu digo que é uma ataxia, olharem para mim como se eu fosse uma extraterrestre ou, pior ainda: torcerem o nariz e não acreditarem, muito pura e simplesmente porque nunca ouviram falar de tal coisa. Então o livro nasceu, primeira e principalmente, para a necessidade de alertar o grande público para a existência, bem real, das ataxias hereditárias (daí, o subtítulo: Pela desmistificação, sensibilização e consciencialização das ataxias hereditárias), um grupo de patologias raras, incuráveis e neurodegenerativas.

E como eu sempre gostei muito de escrever contos e micro-contos, lembrei-me de reunir alguns textos. Esses mesmos textos, que nada têm a ver com a questão das ataxias, servem de, vamos lá, veículo para uma tentativa de “educar” o grande público para a questão das ataxias hereditárias: o que são, como se manifestam, como surgem…Não posso deixar de aqui referir o apoio da APAHE – Associação Portuguesa das Ataxias Hereditárias (http://www.apahe.pt.vu), sem o qual este livro não seria uma realidade.

Aproveito ainda aqui esta oportunidade para convidar todos, para além de lerem o livro, a partilhar a vossa opinião sobre o mesmo, na página do Facebook criada especialmente para o efeito: https:// www.facebook.com/fatimadoliveira2/.

O que representa para si a escrita?

Uma maneira de exorcizar os meus demónios. Também uma catarse.

Que livros é que a influenciaram como escritora?

Nenhum em particular. E todos os que já tive a felicidade de ler.

Considera que um livro pode mudar uma vida?

Sem dúvida. Não é à toda que se diz que a caneta é mais poderosa que a espada.

Tem outros projectos em carteira que gostaria de dar à estampa?

Sim, claro. Estou a trabalhar nisso.

Um título para o livro da sua vida?

“Os cães ladram e a caravana passa”.

Viagem?

Adorava ir a Viena, na Áustria.

Música imprescindível?

A música é imprescindível, mas não destaco nenhum género. Desde que não seja má… Só não gosto de heavy-metal e associados.

Quais os seus hobbies preferidos?

Ler, escrever, ouvir música, ver (bons) filmes…

Se pudesse alterar um facto da história qual escolheria?

Por incrível que pareça, não sei se o faria… Afinal, foi a nossa história que fez de nós o que somos hoje, que nos construiu. Para o bem e para o mal.

Se um dia tivesse de entrar num filme que género preferiria?

Não gosto de terror, mas mais do que ao género, daria primazia à qualidade e inteligência do guião e dos diálogos.

O que mais aprecia nas pessoas?

A capacidade de se rirem de si próprias.

O que mais detesta nelas?

Hipocrisia, presunção, vaidade…

Acordo ortográfico. Sim ou não?

Não. Ponto final. Parágrafo.