aurélio lopesO desabafo proferido por Bela Guttmann, cinco décadas atrás, voltou à baila por obra e graça da derrota do Benfica na final da Liga Europa.

Dividindo opiniões, entre os que não acreditam e… os que não acreditam.

Contudo, não deixam de falar nisso.

Afinal, como diz a proverbial expressão: “não acredito em bruxas, mas… “

Este é, aliás, um exemplo paradigmático que, se para mais não servir, serve para percebermos as lógicas prosaicas que enformam este tipo de superstições que, no plano psicossocial se inserem e impregnam, de alguma forma, o imaginário tradicional do povo que somos.

Naturalmente, entender-se que existe um efetivo e misterioso potencial tendente a atrair o azar para estes acontecimentos e a impedir, em absoluto, determinados resultados desportivos, constitui um autêntico disparate.

Contudo, o problema das maldições (bem como de “pragas”, “enfeitiçamentos” e afins) é que, em rigor, não precisam de existir para exercerem a sua ação!

Basta, alguém, acreditar que existem.

Consciente ou inconscientemente.

Assumidamente ou não.

Falem ou não delas.

Valorizem-nas ou desvalorizem-nas.

Ora, “verdade verdadinha”, é que se o Benfica não tem perdido duas ou três finais (logo após os anos de êxito do bi-campeonato europeu) nunca mais ninguém se lembraria da suposta maldição de Guttmann.

É assim, afinal que surgem todas as maldições. Ou pelo menos que estas se impõem. Exista, ou não, um propósito inicial.

A partir daí, a sua influência tende a exercer-se sempre que se aproxima uma ocasião dessa natureza.

Podendo influenciar (de uma forma não mensurável, naturalmente) disposições e vontades. Reanimar crenças e superstições*.

Mesmo que os visados não se apercebam disso. E o neguem, perentoriamente.

Podendo, assim, contribuir, a médio prazo, para alimentar recorrentes desconfianças (ou faltas de confiança) influenciadoras de prestações e resultados. Constituindo-se então, gradualmente, supostas “maldições”.

Até que as mesmas, com mais ou menos dificuldades, sejam ultrapassadas.

Até aí….

*Afinal, se há coisas que somos, na grande maioria, é… supersticiosos. Principalmente, quando as coisas não correm bem. E os azares se acumulam ou parecem, anormalmente, acumular.

 

Aurélio Lopes

Aurelio.rosa.lopes@sapo.pt aesfingedebronze.blogspot.com