aurélio lopesLonge vai o tempo em que as instituições governativas eram vistas, pela população portuguesa, como credíveis e prestigiadas. Em que o rei e mais tarde o presidente, surgiam como garantes da honorabilidade nacional.

Afinal, entre outras coisas, o seu afastamento do conhecimento popular mantinha-os como símbolos nacionais mais ou menos impolutos.

Foi aliás (entre outras coisas) para manter tal imagem institucional (símbolo de identidade nacional), que muitos países optaram pela continuidade monárquica, mesmo que destituída de componente efetiva de poder. Aceitando suportar, á conta do erário público, os encargos com famílias reais mais ou menos “bibelôs”.

Nos novos tempos, a exposição dos governantes à inevitável curiosidade pública, alimentada por quotidianos fluxos mediáticos, permite mostrar (para o bem e para o mal) o verso e o reverso de figuras até algumas décadas mais ou menos distantes e, quantas vezes, mitificadas.

Afinal, ser hoje governante é ser alguém cujas ações e opiniões são dessecados até ao tutano, por parte dos omnipresentes órgãos informativos que assim vão formando (e, enformando, afinal), a opinião pública.

Portanto, faltar sistematicamente à verdade (como o atual governo vem recorrentemente fazendo), é algo que transparece facilmente.

Algo que nos afasta de quem nos governa:

– Levando-nos a votar cada vez menos: mesmo que votando, ainda, por inexistência efetiva de alternativa.

 – Não acreditando em governos (e afins); que consideramos não respeitáveis e honestos.

– Tomando a liberdade de não ser solidários como os mesmos, nos processos e desígnios supostamente nacionais.

– Assumindo a subversão e a ilegalidade como uma opção legítima e facilmente justificável.

Em suma, expressando uma fratura transversal cada vez mais evidente na sociedade portuguesa.

Entre ricos e pobres. Entre poderosos e vulneráveis. Entre quem manda e quem é mandado.

Perante a indiferença, mais ou menos hipócrita, da classe governante.

Para quem só as percentagens de votos contam. Mesmo que relutantes. Mesmo, que resultantes de atitudes de resignado conformismo: como aquele com que tantas vezes nos deparamos “O que é que querem? Se estivessem lá outros faziam o mesmo”.

Vota-se, assim, não por convicção, mas por habitual desespero de causa.

Não “por”, mas… “apesar de”

Situação grave, esta! Que herdámos, é um facto, dos diversos governos. Mas em que, este, tem tido particular responsabilidade.

Neste momento, a melhoria da situação económica internacional, vai finalmente permitindo alguns indícios positivos.

Para alguns (e pese embora a lógica do “roubar aos pobres para dar aos ricos”) por ação do presente governo. Para outros,… apesar dele!

Seja como for, o aproximar das eleições, deu já origem à habitual enxurrada de promessas, só comparável à verificada antes das últimas eleições.

Aurélio Lopes