aurélio lopesNecessários (até descobrirmos um sistema politico melhor) os partidos políticos são, hoje, essencialmente estruturas de aceso ao poder.

De carreirismos públicos e privados. Ou, se quisermos, de carreirismos também privados, por obra e graça do desempenho dos cargos públicos.

De guerras internas e externas.

Mais perversas, convenhamos, as internas. Travadas entre quem disputa os mesmos lugares, conhece os respectivos podres e, quantas vezes, tem contas a ajustar.

Numa sociedade em que só os mais fortes (não necessariamente os melhores) sobrevivem, os partidos constituem um impiedoso cemitério dos vencidos.

Como acontece nas grandes empresas, a competividade é, aí, sistemática e cruel.
Onde não existem solidariedades politicas. Nem camaradagens ideológicas.

Apesar da suposta ideologia comum. E do suposto desígnio político.

O partido constitui, apenas, um meio para atingir um fim. As lealdades expressam-se em função de lobbys internos e, aí, cada um (líder ou seguidor) defende os seus interesses, contra tudo e contra todos. Espezinhando, se necessário for, anteriores aliados. Sem qualquer remorso ou rebate de consciência.

Não admira, assim, que tudo sirva de pretexto para a luta pelo poder.

Aproveitando circunstâncias propícias aos nossos interesses e adversas aos dos outros.

Jogando com oportunidades e oportunismos. Com legalidades e legalismos.

Com regras e leis feitas à medida de interesses conjunturais.

Neste momento, é o PS que nos brinda como um drama shkespeariano de faca e alguidar.

PS, onde António Costa vê uma oportunidade de liderança na fraca liderança de Seguro.

Alguém sem carisma. Alguém (imperdoável defeito) que não convence os eleitores.

Mesmo em situações de gritante (e justificada) impopularidade governativa.

Que se arrisca a uma triste e invulgar proeza: não conseguir ser uma alternativa credível, na situação mais propícia do que há memória aos interesses de uma qualquer oposição.

E assim perder as próximas eleições legislativas. Pelas quais todos esperam. E alguns desesperam.

Para a qual, naturalmente, a dupla P.P. e P.P., possui de reserva alguns rebuçados eleitoralistas.

Compreende-se assim a necessidade sentida (por algumas personalidades rosa) de interromper o processo pírrico em curso: aquilo que se adivinha como um percurso “de vitória em vitória até à previsível derrota final”.

A ânsia pelo poder, naturalmente, faz o resto.

As tristes figuras que daí advém (e se nos impõem todos os dias) constituem uma versão cinéfila, em sinal aberto, do mais manhoso “western spaghetti”.

Revelando, mais uma vez, o que de pior tem a política.

 

PS – Razões diversas que se fundam em motivações europeístas quase inexistentes e em comportamentos políticos cada vez menos recomendáveis (chamemos-lhes assim) levaram a que o partido governamental (que continua diariamente a tomar decisões em nosso nome) fosse apoiado nas últimas eleições por pouco mais de 9% dos eleitores. E, o ”grande vencedor”, por cerca de 10%.

Apenas um em cada dez eleitores votaram em cada um destes partidos!

Eis, assim, um sistema supostamente democrático, em que as decisões deveriam resultar da vontade da maioria, reduzido à sua expressão mais incipiente e, afinal, subversora da sua própria razão de ser.

Aurélio Lopes

Aurelio.rosa.lopes@sapo.pt

aesfingedebronze.blogspot.com