aurélio lopesO Prémio Vasco Vinalda conferido ao Museu de Arte Sacra de Santarém, por parte da Fundação Calouste Gulbenkian, consagra uma atitude de mudança (pelo menos a nível de cúpula) quanto à importância e dignidade atribuída à arte sacra e ao seu valor patrimonial.

Estão de parabéns, naturalmente, os responsáveis da Diocese e particularmente, dir-se-á, o Padre Joaquim Ganhão, diretor da Instituição.

Espero, encarecidamente, que o mesmo esteja a acontecer com o mais diverso património do género, espalhado pelas diferentes paróquias do Distrito de Santarém, em parte considerável (embora não todo) pertencente à respetiva Diocese.

Há alguns anos atrás, a propósito do Congresso Internacional do Espírito Santo realizado, em 1995, em Santarém (aliás, nas instalações da Sé Episcopal) efetuou-se uma pesquisa de campo em todos os concelhos do Distrito de Santarém e, dentro de cada um, nas igrejas, capelas, santuários e instalações afins onde, era suposto, existirem vestígios materiais do culto espiritista.

Ocasião privilegiada para verificar “in-loco” o estado deplorável em que se encontrava muito do património sacro desta zona do país, quantas vezes relegado por questões estéticas, devocionais ou simples desconhecimento, para bolorentas arrecadações e poeirentos anexos particularmente expostos às mais diversas intempéries.

Não sei se a criação do referido museu diocesano envolveu, igualmente, um levantamento do património espalhado por toda a Diocese e/ou contemplou, mesmo, algumas medidas de salvaguarda do mesmo.

Seja como for, pode ser que a oportuna criação do mesmo (relevada agora pelo reconhecimento e distinção conferidos) contribua para que alguns responsáveis das nossas paróquias percebam, de vez, que as diferentes perspetivas devocionais e patrimoniais não as tornam, necessariamente, antagónicas ou inconciliáveis.

E, já agora, que cada paróquia não é, afinal, uma quinta pessoal.

 

Aurélio Lopes

Aurelio.rosa.lopes@sapo.pt

aesfingedebronze.blogspot.com