O recente falecimento do jovem forcado Pedro Primo, dos Amadores de Cuba, gerou no seio da Festa Brava uma onda de solidariedade assente no respeito que é devido a um ser humano que encontrou o termo da sua vida a cumprir uma das suas paixões – Ser Forcado!

Porque a Festa Brava é um misto de festa e de luto, de sol e de sombra, de alegria e de tristeza, de sobriedade e de exuberância, de glória e de tragédia, todos os Aficionados estão preparados para os piores desfechos, embora, como é natural o lamentem e chorem.

Até aqui nada de mais! Porém, há pessoas que se assumem mais amigas dos animais do que dos seus semelhantes, ou, talvez não, pois, a sua conduta social é mais própria de animais irracionais do que seres humanos. Há de tudo para todos os gostos!

Amiúde aqui temos criticado a atitude de muitos anti-taurinos – não tomando a nuvem por Juno! – que no fanatismo das suas opções agridem moral e intelectualmente todos quantos pensam diferente de si, negando aos outros aquilo que exigem para si próprios, o respeito.

Mas, como em tudo na vida e na sociedade em que nos integramos o nível de responsabilidade de cada um é diferente de pessoa para pessoa, e há algumas pessoas que apesar de terem o direito a ter a sua opinião e a emiti-la livremente, o devem fazer dentro de um quadro de reserva muito próprio.

Todos já ouviram, certamente, contar a história daquele médico cujo filho foi atropelado mortalmente por um jovem que, sob os efeitos da embriaguez, não conseguiu controlar o automóvel que conduzia em excesso de velocidade, tendo ficado em estado grave. Confirmado o óbito de seu filho, o médico efectuou todas as diligências para salvar o jovem que havia morto o seu filho, e em vez de estar a chorar a perda do seu querido ente e confortar a sua esposa entrou para o bloco operatório e salvou o condutor que lhe roubara o bem mais precioso. Este médico, para além de um excelente profissional foi uma pessoa superiora! Ser médico impõe um código deontológico que está muito acima das nossas emoções ou das nossas convicções!

Vem isto a propósito de uma médica de Coimbra se haver regozijado com a morte do jovem Forcado Pedro Primo “postando” no seu mural: “Menos um que deixa de chatear”!

Francisco Borges, antigo Forcado dos Amadores de Montemor reagiu nos seguintes termos a este lamentável e tão infeliz comentário:
“Tenho feito os possíveis para me alhear a todos os comentários vociferados pelos “Anti-Taurinos” no que respeita à morte de uma Pessoa, até porque quanto mais lhes respondermos mais importância lhes estamos a dar. Contudo, houve um que não me permitiu alhear, pois, foi feito por alguém que nem sei como denominar, este alguém é Funcionário Público, pago por todos nós, mas ainda não é isso o mais importante, é que esse alguém é Médico e exerce as suas funções na ARS Centro, HUC – Hospital da Universidade de Coimbra, e está acima de tudo sujeito ao Juramento de Hipócrates. Perante isto só me resta pedir a toda a Imprensa Taurina e Generalista que divulguem o nome desta pessoa que se vangloria com a morte de alguém. Espero também que os responsáveis deste País tomem as devidas medidas, bem como a Federação Taurina Prótoiro actue, levando o caso às últimas consequências começando desde já por denunciar a situação à Ordem dos Médicos.

Dado que muita gente está a perguntar o nome da “pessoa” porque não se apercebe que basta clicar nas fotos e ao abrirem está lá o nome no perfil, mas para facilitar aqui fica o nome: Maria Júlia Canotilho.” Francisco Borges/Facebook Entretanto, Vanda Ferreira está a promover na internet uma Petição Pública para instaurar inquérito e sanção disciplinar a esta médica de Coimbra, dirigida ao Ministro da Saúde e que na passada segunda-feira já tinha sido assinada por mais de duas mil pessoas, cujo texto é o seguinte: “Exmo. Senhor Ministro da Saúde, Exijo, como utente do Serviço Nacional de Saúde e contribuinte activa, que seja instaurado inquérito e sanção disciplinar com a respectiva expulsão da Ordem à Senhora Dr.ª Maria Júlia Canotilho, por a mesma não estar no seu juízo perfeito, faltando ao Juramento de Hipócrates.

Esta senhora não deve exercer acto médico sob pena de deixar um paciente “morrer” se o mesmo não for Vegetariano. Na medicina não existe etnia, religião, conta bancária, gostos pessoais… Pelo menos não deveria existir. Amo Animais e faço a minha parte na sociedade. Mas a vida Humana sobrepõe-se sempre. Ass. Vanda Ferreira”

Não deixe de assinar esta Petição, porque, sendo ou não Aficionados há valores de humanidade que não podemos deixar de ver respeitados!

LUDGERO MENDES