A administração dos CTT confirmou oficialmente ao presidente da União de Freguesias de Abrantes a “real intenção de encerramento” do balcão de Alferrarede, não avançando a data de fecho, disse hoje o autarca Bruno Tomás (PS)

Citado pela agência Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Abrantes (S. Vicente e S. João) e Alferrarede disse ter estado reunido na quinta-feira, “com carácter de urgência”, em Lisboa, com o director da Área Comercial e Parceiros dos CTT, onde foi “oficialmente informado da real intenção de encerramento do balcão” em causa, não existindo, no entanto, data anunciada para tal.

O autarca afirmou ter manifestado nesta reunião “incredulidade e discordância” com esta decisão, tendo afirmado à Lusa que a junta de freguesia, “em nome da população, não se conformará com tal intenção, uma vez que a mesma é lesiva dos interesses dos mais de 18.000 habitantes” da freguesia de Abrantes.

“Todo o executivo da Junta de Freguesia e membros da Assembleia de Freguesia consideram ser absolutamente injustificável tal pretensão, estando neste momento a serem tomadas algumas diligências no sentido de procurar agendar audições com os vários grupos parlamentares representados na Assembleia da República”, avançou.

O autarca do PS sustenta que a freguesia a que preside tem mais de 18.000 habitantes, sendo “a mais populosas de Abrantes”, no distrito de Santarém, estando o balcão dos CTT “numa zona de expansão da cidade e onde prevalece uma população envelhecida”, sendo a alternativa a esta estação de correios uma outra, que existe no centro histórico da cidade, mas com “evidentes prejuízos para as populações em termos de um serviço que se quer de proximidade”.

O autarca disse ainda que convocou para hoje, sexta-feira, às 19:00, uma reunião de trabalho com todos os membros com assento na Assembleia de Freguesia para “dar conhecimento das diligências efetuadas” e para “definir medidas a tomar, na procura de uma solução favorável para todas as partes” e “trabalhar para que esta intenção de encerramento não se concretize”.

Bruno Tomás disse ainda “aguardar com expectativa” a reunião de trabalho “agendada para a próxima semana” entre a presidente da Câmara Municipal, Maria do Céu Albuquerque (PS), e a administração dos CTT.

Contactada pela Lusa, a autarca disse que, “em causa, está uma grande estação e um serviço público essencial para a população, não só numa zona de expansão da cidade, mas também para muitos clientes oriundos das freguesias mais rurais do concelho”, como sejam as freguesias mais a norte, tendo confirmado o pedido de esclarecimentos junto dos CTT.

Os CTT confirmaram em 02 de Janeiro o fecho de 22 lojas no âmbito do plano de reestruturação, que, segundo a Comissão de Trabalhadores dos Correios de Portugal, vai afectar 53 postos de trabalho.

A empresa referiu que o encerramento de 22 lojas situadas de norte a sul do país e nas ilhas “não coloca em causa o serviço de proximidade às populações e aos clientes, uma vez que existem outros pontos de acesso nas zonas respectivas que dão total garantia na resposta às necessidades face à procura existente”.

Em causa estão os seguintes balcões: Junqueira (concelho de Lisboa), Avenida (Loulé), Universidade (Aveiro), Termas de São Vicente (Penafiel), Socorro (Lisboa), Riba de Ave (Vila Nova de Famalicão), Paços de Brandão (Santa Maria da Feira), Lavradio (Barreiro), Galiza (Porto), Freamunde (Paços de Ferreira), Filipa de Lencastre (Sintra), Olaias (Lisboa), Camarate (Loures), Calheta (Ponta Delgada), Barrosinhas (Águeda), Asprela (Porto), Areosa (Gondomar), Araucária (Vila Real), Alpiarça, Alferrarede (Abrantes), Aldeia de Paio Pires (Seixal) e Arco da Calheta (Calheta, na Madeira).

A decisão de encerramento tem motivado críticas de autarquias e utentes.