O restaurante Adega, na cidade norte-americana de São José, na Califórnia, dos “chefs” David Costa, natural de Santarém e da mulher, Jéssica Carreira, tornou-se o primeiro restaurante da cidade a receber uma estrela do Guia Michelin. Na rede social Facebook, os “chefs” manifestaram-se “humildes e honrados” com a distinção, obtida em Outubro do ano transacto. “Estamos muito orgulhosos por os nossos esforços para divulgar uma cozinha portuguesa autêntica estarem a ser reconhecidos.

Estamos muito agradecidos às nossas famílias, amigos, funcionários e clientes que tornaram possível o Adega receber esta grande honra”, escreveram na altura.

David Costa passou pelo Eleven e pelo Assinatura antes de abrir, na chamada ‘Little Portugal’, o Adega, o segundo restaurante português – ou de influências assumidamente portuguesas – a receber uma estrela Michelin, depois do nova- -iorquino Aldea, do luso-americano George Mendes, que a tem desde 2012.

Quando e como começou a gostar de cozinhar?

Desde criança pois a minha avó e a minha mãe sempre foram excelentes cozinheiras e com elas aprendi muito e adorava ajudá-las. Tenho pena que agora seja mais difícil fazê-lo. Mais tarde, o meu irmão mais velho estudou culinária e começou a trabalhar em cozinha, ainda me atraiu mais e segui em frente.

O que é preciso para ser um bom chef?

Primeiro que tudo é preciso ser um bom cozinheiro pois chef é só um posto não profissão, ao contrário do que alguns pensam, é preciso saber fazer para pedir para fazer. Acho que é preciso criar a nossa própria identidade na cozinha com o que aprendemos, estudamos, pesquisamos ao longo dos anos e ir evoluindo com o tempo, pois sei que vou morrer sem aprender tudo, também é muito importante saber lidar com as pessoas pois cada um dos nossos cozinheiros é diferente, pessoal e profissionalmente e queremos que cada um deles dê o seu melhor todos os dias.

Na opinião do chef, qual é, afinal, o sal da vida?

A paixão e a entrega que damos às coisas que realmente gostamos.

Qual é o seu prato preferido?

Gosto de tudo mas a sopa de pedra da avó e o bacalhau azedo da mãe…

Se não fosse chef, que profissão gostaria de ter seguido?

Não me vejo a fazer outra coisa mas acho que seria cirurgião.

Se a sua vida desse um livro, que título lhe daria?

‘Ferro e Fogo’, ligado às raízes da cozinha como tudo começou e algo com que me identifico muito.

O David vai em dietas?

Não.

Cozinhar ainda está na moda?

Sim e acho que é uma moda que já não vai passar pois é um bem essencial. Foi bom terminar com a ideia do chefe gordo, sujo e mau que desvalorizou um pouco a profissão.

Qual é o ingrediente para chegar ao topo da carreira?

Aprendizagem, pesquisa, humildade, esforço, dedicação, orientação, empenho e paixão pelo que fazemos.

O que mais aprecia na cozinha ribatejana/ portuguesa?

Os produtos, a sua qualidade e o facto de conseguirmos utilizar quase tudo dos animais desde o mais ao menos nobre e isso é fantástico!

Filme favorito?

Pianista.

Um destino de eleição?

Santarém. Regresso a casa e às origens.

Música?

Rock.

Livro?

Cozinha tradicionalmente portuguesa (Maria de Lourdes Modesto).

Se um dia tivesse de entrar num filme que género preferirias?

Comédia, aventura e acção, tudo em um.

O que mais aprecia nas pessoas?

Humildade, sinceridade e bom humor.

O que mais detesta nelas?

Mentira e traição.

Acordo ortográfico. Sim ou não?
Não.