Um ano mais a Monumental “Celestino Graça” não abre as portas no mês de Outubro, por ocasião da Feira da Piedade, que Deus haja. Deste modo, uma das principais praças de toiros do nosso país cumprirá a temporada taurina que se apressa a chegar ao seu termo com apenas dois espectáculos…  Repito, dois espectáculos!

Valerá a pena reflectir? Se calhar até nem vale… Siga para bingo! A Feira da Piedade poderia ser devidamente ressuscitada pela edilidade escalabitana, se para tanto houvesse vontade e empenho, revestindo-se, obviamente, de um formato actualizado, mas que envolvesse as nossas tradições populares, entre as quais as que estão associadas ao folclore e à etnografia, ao artesanato, à gastronomia e às diversões lúdicas.

Circos, carrocéis, pistas de carros de choques e as tasquinhas de petiscos. Há tão bons exemplos na nossa região e na vizinha Espanha de como uma feira centenária pode continuar a cumprir o seu papel e a ter o seu público. Porém, é mais fácil deixá-la morrer e o tempo se encarregará de a fazer esquecer.

Há ainda alguém que se lembre da Feira do Milagre, em Abril? Praticamente, ninguém. O mesmo sucederá com a Feira da Piedade e até com a Feira do Ribatejo, pelo menos na sua componente tauromáquica.

Custa-nos ver definhar um calendário de festividades populares que outrora deu nome e vida a Santarém e ao Ribatejo. Mas, certamente, outros valores mais altos se levantarão…

À margem desta questão, lembremos que se admitiu a possibilidade de realizar um conjunto de espectáculos taurinos de carácter beneficente a favor das vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande, previstos inicialmente para dia 30 de Setembro, remarcados depois para dia 7 de Outubro – ambas as datas fora da Feira da Piedade – e, ao que parece agora, já não terão lugar este ano. É o que consta, porque a Empresa Aplaudir, Lda., concessionária da Praça de Toiros, nada nos informou. Apenas se diz nos mentideros taurinos…e diz-se tanta coisa, que alguma há-de ser verdade!