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Mais actividades para as famílias e a aposta na diminuição da pegada ecológica marcam a edição deste ano do Festival Bons Sons que, nos próximos dias 11 a 14, regressa à aldeia de Cem Soldos, no concelho de Tomar.

Parcerias com a Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA) e o festival Materiais Diversos contribuem igualmente para o aumento de manifestações paralelas, que prevêem ainda um festival de curtas-metragens e a apresentação de um novo filme de Tiago Pereira sobre o cante alentejano.

Música para grávidas, oficinas de percursão ou os “Jogos do Helder” (jogos tradicionais repensados em formato moderno e grande dimensão) estão entre as atividades destinadas às famílias que, este ano, “vão encontrar uma maior diversidade de ocupações”, nos vários espaços da aldeia de Cem Soldos, de acordo com Luís Ferreira, da organização do Bons Sons.

Na aldeia que se transforma em recinto de festival, algumas das novidades têm lugar no curral, onde vão ter lugar as “aulas do burro”, dando aos festivaleiros mais conhecimentos sobre aqueles animais oriundos do planalto mirandês.

Do curral partirão também os passeios de burro e a ‘burroteca’, um burro carregado de livros guiado por um animador que contará “histórias à volta do burro”, explicou à Lusa o mesmo responsável.

A par com estas atividades, realizadas em parceria com a AEPGA, o festival inicia também este ano uma parceria de programação cruzada com o festival Materiais Diversos, de Minde, que levará as artes performativas a Cem Soldos.

“Curtas em flagrante”, um festival de curtas-metragens em língua portuguesa, e o visionamento comentado de um novo filme de Tiago Pereira sobre o Cante Alentejano, são outras das alternativas propostas pela organização, a completar um cartaz que junta 45 músicos portugueses nos oito palcos da aldeia.

No Espaço Criança haverá este ano, de hora a hora, “atividades ligadas à ecologia, que reforçam a visão ecológica do festival que incentiva à redução e consumos, com torneiras de redução de caudal, introdução gradual de casas de banho secas e a retirada definitiva dos copos de bebidas descartáveis”, divulgou Luis Ferreira.

Nesse sentido a organização via disponibilizar, além do icónico púcaro de alumínio, um símbolo do festival que pode ser adquirido no recinto, “uma caneca de plástico, reutilizável, que pode ser devolvida ao final do dia”.

Este ano, o Bons Sons aposta também em “mais serviços e num segundo campismo, em alternativa aos parque de campismo grátis, para pessoas que não se importam de pagar, mas que querem mais condições”, acrescentou o responsável da organização.

O festival, organizado desde 2006 pelo Sport Club Operário de Cem Soldos, mantém o conceito original de envolvimento de toda a comunidade na preparação da aldeia para receber os cerca de 35 mil festivaleiros esperados, e intensifica, nesta edição, essa ligação com mais uma novidade.

“Haverá 45 famílias que irão receber, em suas casas, 45 músicos, que aparecerão aleatoriamente e que receberão um saco personalizado, feito pela família, contendo ofertas diversas ligadas ao festival e à aldeia”, adiantou Luis Ferreira.

Entre os artistas estarão José Cid, que vai retomar, a 13 de agosto, o histórico álbum de rock progressivo “10.000 anos depois entre Vénus e Marte”, Rodrigo Leão, Orelha Negra, Mão Morta, Capitão Fausto, Samuel Úria, Paulo Bragança, Virgem Suta, Frankie Chavez, Né Ladeiras, Medeiros/Lucas, Glockenwise, Throes +The Shine, Señoritas, Octa Push e Sampladélicos, entre outros.

Com um orçamento de 450 mil euros, o festival é integralmente organizado pela população de Cem Soldos, sem qualquer apoio camarário ou de empresas, e as receitas revertem para dois projetos sociais: o Lar Aldeia e a Casa Aqui ao lado, que visa a recuperação de uma habitação para albergar residências artísticas.

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