A esta hora já poderá ser conhecido o resultado do concurso de concessão da exploração da Praça de Toiros “Daniel do Nascimento”, da Moita do Ribatejo, o que não ocorreu, contudo, em tempo útil do fecho desta edição. Ainda assim parece não haver muitas dúvidas quanto ao desfecho do concurso, pois, segundo a maioria dos blogues taurinos, a vitória da proposta de Rafael Vilhais era admitida por fontes muito próximas da Sociedade Moitense de Tauromaquia, entidade proprietária deste prestigiado tauródromo. João Pedro Bolota, proprietário da empresa Aplaudir, Lda. que nas últimas temporadas geriu os destinos desta praça, apresentou a sua proposta, que, ainda segundo as mesmas fontes, teria ficado aquém das expectativas, pelo que terá sido preterida. Acresce que João Pedro Bolota tinha contra si muitos aficionados que não gostaram dos cartéis da última feira taurina, enquanto Rafael Vilhais vem aureolado com um rótulo de empresário de grandes cometimentos, para o que muito contribuiu a apresentação da coqueluche do toureio mundial, Andrés Roca Rey, em Salvaterra de Magos.

Segundo consta nos mentideros, Rafael Vilhais teria assumido que se a empresa Aplaudir, Lda. se propusesse a novo ciclo, ele não concorreria, mas, pelos vistos as coisas nem sempre são como parecem. Uma coisa é o que se diz, outra é aquilo que se faz.

Arriscando – porque o exercício da nossa função também se faz correndo riscos – a hipótese de a empresa Aplaudir, Lda. ter perdido a concessão da praça da Moita do Ribatejo, poderemos especular que talvez esta situação resulte em favor da Monumental “Celestino Graça”, de Santarém, de que esta empresa é ainda concessionária e que tão mal a tem tratado nas últimas temporadas.

A praça de toiros da capital ribatejana apenas realizar duas corridas numa temporada, a que terão assistido pouco mais de seis mil espectadores, é algo de verdadeiramente inusitado. Uma edição da Feira do Ribatejo em que apenas se realizou uma corrida em quatro datas possíveis é perfeitamente inédito! Depois, realizar mais uma corrida em Setembro – data sem tradição na praça escalabitana – e não promover nenhum festejo no período da decadente Feira da Piedade é contribuir para a morte lenta da tauromaquia na capital ribatejana.

Perdendo a gestão da Praça “Daniel do Nascimento” pode ser que a empresa Aplaudir, Lda. aposte um pouco mais no tauródromo escalabitano, embora, para ser bem-sucedido, o deva fazer apostando em cartéis com força e com qualidade, posto que a lotação da Praça “Celestino Graça” bem permite trazer figuras de primeira grandeza, ao contrário dos habituais cartéis aqui apresentados. Se Roca Rey toureou em Salvaterra de Magos – com o devido respeito pela afición salvaterrense – porque razão não poderia actuar em Santarém, se a praça escalabitana tem o dobro da lotação da de Salvaterra?

Se Diego Ventura pode actuar em Beja ou em Alcochete, porque não pode tourear em Santarém?

Enfim, vamos ver o que acontece na Moita do Ribatejo e a seguir esperemos que Santarém não continue na actual rota de apagamento e consequente perda de prestígio.

Ludgero Mendes